Apagão no Amapá deixa população sem água, alimento e hospitais lotados

Situação atingiu 13 das 16 cidades do estado

Apagão no Amapá deixa população sem água, alimento e hospitais lotados
Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica

Nesta sexta-feira (06), 13 das 16 cidades do Amapá completam três dias sem energia elétrica. O apagão aconteceu por conta de um incêndio nesta terça-feira (03), no transformador 1 da Subestação de Macapá, da companhia LMTE. A empresa é responsável por aproximadamente 70% da energia do estado. O governo de Macapá, a capital, decretou estado de calamidade pública por 30 dias, mudando as regras estabelecidas por causa da pandemia da Covid-19 e permitindo que postos de combustíveis funcionem durante 24 horas por dia.

A falta de energia tem provocado uma série de problemas como desabastecimento de água, queda nos sistemas de internet, paralisação de agências bancárias e de outros serviços essenciais! Moradores se queixam de não conseguirem comprar comida e remédios e nem sacar dinheiro! A crise é generalizada! Algumas atividades também já foram interrompidas em hospitais.

Os trabalhos para reparar a subestação atingida começaram na terça-feira, mas o serviço ainda não foi reestabelecido. A previsão é de que, ainda hoje, um dos geradores seja consertado e restaure o fornecimento de energia entre 60 e 70% do estado. O drama ganhou contornos apocalípticos em centenas de depoimentos nas redes sociais. Apesar da dificuldade em conseguir conexão, muitas pessoas aproveitaram o pouco que restava de bateria em seus celulares para relatar as dificuldades da população local.

Em um texto no Facebook, Heluana Quintas, moradora de Macapá, fala da situação de calamidade no estado. “Não tem água encanada. Não tem internet e raras vezes funciona Claro e Vivo. Os postos de gasolina não podem operar sem energia, então não temos gasolina também. Não dá para sacar dinheiro nos caixas eletrônicos, nem comprar comida com cartão. Estamos num pico de contaminação e lotação nos hospitais devido à pandemia. Eles estão funcionando por gerador. Não sabemos por quanto tempo. As cirurgias foram interrompidas. Torçam, rezem, orem, mandem ‘positive vibration’ aos enfermos”, postou.

O material logo viralizou em diversas redes sociais e hashtags como #SOSAmapa, #ApagaoNoAmapa e #AmapaPedeSocorro passaram a circular com força. Vídeos nas redes mostram filas para conseguir colocar combustível no automóvel ou para comprar água, em um momento de pandemia no qual a aglomeração de pessoas pode aumentar a contaminação de covid-19.

Marina Silva (Rede), ex-senadora pelo Acre, também comentou os problemas. “É gravíssima e estarrecedora a situação no Amapá. Em quase todo o Estado, já são mais de 40 horas sem energia elétrica, água, internet e sinal de celular. As autoridades públicas precisam agir com urgência para contornar os transtornos e os prejuízos provocados a todos os amapaenses”, disse em seu Twitter.

Outros dois políticos que estão divulgando as dificuldades locais são o senador Randolfe Rodrigues (Rede) e o deputado federal Camilo Capiberibe (PSB), eleitos no Estado. “O que estamos vivendo no Amapá é inaceitável. Precisamos de respostas rápidas. Comerciantes e famílias estão perdendo o pouco que tem, famílias sem água para cozinhar/tomar banho e grandes aglomerações se formando em supermercados, farmácias, postos de gasolina em plena pandemia”, reclamou Capiberibe.

Outra internauta usou o Twitter para lamentar a situação. “Só atualizando: estamos há 50 horas sem energia, pouco sinal de internet, a água potável está escassa, gasolina num preço absurdo, o Estado está na segunda onda de covid e não temos previsão de retorno”, disse Mari Guedes.

Na quinta-feira (5) o governo informou que tem a expectativa de restabelecer o fornecimento de energia em 70% do Amapá, mas a retomada das condições normais de atendimento em todo o Estado deverá levar mais tempo, segundo o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

*Com informações da Agência Brasil

*Conteúdo Estadão