Vereador Dr. Jairinho e a mãe de Henry passam a primeira noite na cadeia

Os dois suspeitos da morte do menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos, filho de Monique, ocorrida há um mês, e tiveram a prisão preventiva decretada pela justiça

Vereador Dr. Jairinho e a mãe de Henry passam a primeira noite na cadeia
Foto: Agência Brasil

O vereador Dr. Jairinho e sua namorada, Monique Medeiros, foram encaminhados ao sistema penitenciário do estado do Rio e passaram, ontem (8), a primeira noite na cadeia. Eles são suspeitos da morte do menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos, filho de Monique, ocorrida há um mês, e tiveram a prisão preventiva decretada pela justiça.

O parlamentar está no presídio Pedrolino Werling de Oliveira, que fica no Complexo de Gericinó (Bangu). Já Monique foi levada para o Instituto Penal Ismael Sirieiro, em Niterói.

Os dois ficarão isolados, dentro do presídio, por um período inicial de 14 dias, como medida de prevenção à disseminação da covid-19 dentro do sistema penitenciário. A medida, segundo a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária do Rio, é adotada para todos que entram nas cadeias do estado.

Jairinho e Monique se declaram inocentes e alegam que Henry morreu acidentalmente depois de cair da cama. Já a perícia indica que o corpo do menino mostrava sinais de agressão.

Entenda o caso

Na madrugada do dia 8 de março, Henry Borel foi encontrado morto no apartamento em que Monique, mãe do garoto, vivia com Dr. Jairinho. Ambos disseram que ele havia sofrido um acidente doméstico e que estava desacordado, com os olhos revirados e sem respirar.

Porém, os laudos da necropsia de Henry, bem como a reconstituição no apartamento do casal afastam essa hipótese. Os documentos detalham que a causa da morte foi uma hemorragia interna e uma laceração no fígado causadas por uma ação violenta.

A polícia acredita que, semanas antes de ser morto, Henry teria sido torturado por Jairinho. E, que Monique sabia. Desde o dia 8 de março, os policiais ouviram pelo menos 18 testemunhas e reuniram provas técnicas que refutam a possibilidade de morte acidental.

Vale lembrar que a mãe da criança foi quem disse que tinha acontecido um acidente em seu termo de declaração na delegacia. Mas, além de dois laudos periciais, de necropsia e do local (realizado nas três visitas ao apartamento), a investigação reúne ainda informações dos telefones celulares do casal, apreendidos no último dia 26.

Os policiais descobriram que, depois de iniciadas as investigações, o casal apagou conversas de seus telefones celulares. Há, ainda, suspeitas de que eles tenham trocado de aparelho. Assim, a perícia usou um software israelense para recuperar o conteúdo.

Mãe omissa, padrasto violento

Em relação a Monique, mãe de Henry, ela namorava o vereador desde 2020. Os policiais suspeitaram do seu comportamento após a morte do filho. O primeiro ponto que chamou a atenção foi o fato dela trocar de roupa duas vezes até escolher o melhor modelo, todo branco, para ir à delegacia.

O segundo ponto foi o fato de, no dia seguinte ao enterro, Monique ter passado a tarde no salão de beleza de um shopping na Barra da Tijuca. Três profissionais cuidaram dos pés, das mãos e do cabelo da mãe de Henry, que pagou R$ 240 pelo serviço.

O inquérito reuniu elementos que mostram o perfil agressivo de Jairinho. Há relatos de vários atos violentos do vereador a outra criança, na época com 4 anos de idade, filha de uma ex-namorada. A menina, hoje com 13 anos, prestou depoimento na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav). Um psicólogo acompanhou o relato em que a adolescente narrou uma série de agressões com chutes, pisões e até afogamento na piscina

*Agência Brasil