Alta nos preços dos insumos de combate à Covid-19 afeta outros setores

Acréscimo nos valores das luvas e máscaras tem sido apontado como o mais alarmante

Alta nos preços dos insumos de combate à Covid-19 afeta outros setores
Foto: Arquivo pessoal

Reportagem veiculada na edição 82 do Jornal DeFato Cidades Mineradoras

Um levantamento realizado pela Federação Brasileira de Hospitais Privados (FBH), mostrou que, com a pandemia da Covid-19, os insumos utilizados para a prevenção e cuidado dos casos da doença aumentaram 300% em seus preços.

Esse aumento significativo tem impactado não apenas a realidade dos hospitais, mas também de outras áreas dependentes destes insumos. Tatuadores e body piercings foram afetados. Estes profissionais utilizam os materiais descartáveis na prevenção de doenças transmissíveis, como aids, hepatite e outros. E na atual situação, também usam nos cuidados contra o coronavírus.

O tatuador itabirano Dério Di Carvalho conta que “é uma situação muito chata, pois tivemos que reajustar os valores dos nossos serviços e isso gera um incômodo muito grande aos nossos clientes”. 

Ele explica que até conseguiu manter os preços dos trabalhos no início da pandemia. Todavia, com a inflação, acabou não sendo possível manter por muito tempo. O também tatuador e body piercing, Evando Tetovski, contou que devido ao aumento nos valores dos insumos hospitalares, houve um acréscimo entre 10% e 20% no preço dos serviços. Ele ainda comentou que tais adições têm a ver com o fato de optarem por produtos importados para garantir qualidade na hora do atendimento e no resultado final. 

“A realidade é que, para nós, tudo encareceu. Usamos vários produtos importados e descartáveis que acabam sofrendo a variação do dólar. Um dos que mais subiu foi a luva. A nitrilica, por exemplo, antes comprávamos por R$25,00 a caixa. Hoje está custando em torno de R$ 140,00. É claro que nós sabemos da demanda dos hospitais, mas muitos comerciantes também parecem se aproveitar da situação. O jeito foi usarmos luvas de látex, que são menos resistentes, mas com um custo menor. Antes, elas custavam R$19,00, a caixa. Na nossa última compra, pagamos R$89,90”, informou o profissional.

Evando Tetovski esclareceu que o aumento tem sido prejudicial aos trabalhos. “Além dos materiais, também notamos um acréscimo nos preços de itens como energia elétrica. Além disso, infelizmente, muita gente perdeu o emprego. Motivo pelo qual tememos que baixe ainda mais a procura”, relatou.

Outro setor bastante impactado foi o de estética em geral. Na Espaçolaser, por exemplo, que muito antes da pandemia já usava máscara, luvas e álcool 70% como EPI, foi preciso intensificar ainda mais os usos com a chegada da Covid-19. 

A biomédica Tamires Janine Campos Gomes Santos, responsável pela Espaçolaser em Itabira, falou sobre as mudanças. “Com o aumento nos preços dos produtos, precisamos realizar algumas substituições e adaptações. Por exemplo, ao invés de utilizarmos as máscaras descartáveis, optamos pelas máscaras de tecido”, disse. 

Tamires também pontuou a necessidade de se fazer estoque, devido a oscilação dos preços. “Hoje, fazemos as compras em quantidades bem superiores, pois o aumento acontece todos os dias. Já ocorreu de irmos a farmácia pela manhã comprar determinado material por um certo valor e a tarde ele já apresentar um custo diferente”, concluiu a biomédica.