Com “vida de luxo” e foragida há dois anos, ex-prefeita de Morro do Pilar é presa em BH

Vilma Diniz foi detida pela Polícia Civil quando seguia para uma clínica estética

Com “vida de luxo” e foragida há dois anos, ex-prefeita de Morro do Pilar é presa em BH
Foto: Arquivo/DeFato

A ex-prefeita de Morro do Pilar, Vilma Maria Diniz Gonçalves, foi presa nessa quinta-feira, 27, em Belo Horizonte, depois de ficar dois anos foragida da Justiça. Vilma era procurada desde maio de 2019 por fraudes em licitações. Ela foi detida no bairro Lourdes, região Centro-Sul da capital, enquanto se dirigia para uma clínica estética. Segundo a Polícia Civil, a procurada levava uma aparente vida de luxo.

A ficha de Vilma Diniz no Judiciário é extensa. Ela é investigada por patrocínio privado em licitação pública, crime de responsabilidade, falsidade ideológica e falsificação de documentos. Com histórico polêmico e cassada pela Câmara de Vereadores, a empresária comandou Morro do Pilar pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC), entre 2013 e 2016.

Em texto distribuído à imprensa nessa sexta-feira, 28, a Polícia Civil relatou a prisão ocorrida ontem. Equipes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (Draco) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) vinham monitorando o paradeiro da foragida e identificaram imóveis em que ela estaria residindo na região do bairro Lourdes. Depois de detida ela foi levada para o Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte.

O delegado Thiago Machado, titular da Draco, do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), informou que as investigações, conduzidas pela Polícia Federal, “indicam que entre 2004 e 2017 Vilma teria fraudado diversas licitações”. “Pelas informações que recebemos, ela registrava empresas de propriedade dela no nome de terceiros para manipular o processo licitatório”, explicou. “Além disso, ela teria tentado adulterar provas e persuadir testemunhas”, completou.

Ministério Público

As fraudes constam em processo movido pelo Ministério Público de Minas Gerais, onde, entre 2014 e 2015, a ex-prefeita e outros réus violaram a legalidade de um processo licitatório com o objetivo de beneficiar empresa registrada em nome de um “testa de ferro” de Vilma Diniz, que seria a verdadeira proprietária. Uma segunda empresa que também venceu a licitação teria transferido todo o pagamento feito pelo município – cerca de R$ 193 mil – a outra sociedade empresária, que também teria a ex-prefeita como dona oculta.

Além disso, segundo a denúncia oferecida pelo MP, a ex-prefeita seria responsável por orçamentos falsos produzidos para beneficiar, em convênio com o Estado de Minas Gerais, empresas às quais ela era ligada. Foram descritas, ainda, condutas como a prática de sobrepreço de mercadorias adquiridas pelo município e o pagamento por bens não entregues, em valores superiores a R$ 400 mil.

A prisão preventiva da ex-prefeita foi decretada em maio de 2019, mas ela permanecia foragida até então. As informações são do Superior Tribunal de Justiça (STJ), corte a qual a defesa de Vilma recorreu pela revogação da prisão. O colegiado negou o pedido em fevereiro deste ano, considerando, entre outros fundamentos, a condição de foragida da ex-prefeita e os indícios de que ela teria tentado coagir testemunhas e alterar provas durante as investigações.

DeFato não localizou o contato da defesa de Vilma Diniz.