Diversificação econômica: Itabira como polo da moda

Conheça alguns dos talentos que vem se destacando na carreira de modelo e levado o nome de Itabira muito além das fronteiras nacionais

Diversificação econômica: Itabira como polo da moda
Alice, Dan e Glauber. Fotos: Marcelo Poleze / André Solano / Glauber Bassi
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Antes de se tornar uma cidade com totalmente voltada para a extração mineral, Itabira demonstrava grande capacidade de diversificação econômica, inclusive no setor da moda. Antes da chegada da mineradora Vale, na época Companhia Vale do Rio Doce, a população da cidade se dedicava a atividades como siderurgia de pequenas forjas; lavouras de arroz, feijão e uva; fábricas de bebidas; pecuária extensiva e indústrias têxteis.

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A indústria têxtil, por exemplo, foi bastante forte na cidade. Mas, acabou engolida pelo acelerado crescimento da mineração. Agora, Itabira assiste a uma retomada desse setor. Há quem ainda não saiba, mas a cidade tem se tornado um fértil celeiro de novos talentos na indústria de moda, com muitos nomes apontados como futuros sucessos como modelos.

Modelando para ajudar ao próximo

Nascida Alice Maria Ferreira dos Santos, a itabirana de 21 anos, filha de professores, Alice Sanffer é apontada como um nome em ascensão. “Sempre fui muito incentivada a ser modelo. Mas, achava que era um caminho muito obscuro. Tinha medo… não sabia se era seguro. Então, ser modelo não era uma vontade minha. Porém, isso mudou depois”, conta Alice.

Ainda criança, a itabirana sonhava em ser sereia, professora ou médica. Não deu certo. “Acabei me encontrando na comunicação e resolvi fazer graduação em publicidade e propaganda. E foi um curso em que eu me encontrei. Ele acabou me ajudando a ter um olhar mais técnico, traçar estratégias para me colocar no mercado, criar contatos e conseguir trabalhar modelando”, detalha Alice.

Plural, ela também investiu em um curso de teatro. “Tenho meu registro profissional e venho experimentado muito dessa área. Estou em um processo de me descobrir como atriz”, narra. Atualmente, Alice está morando no Rio de Janeiro. Ela decidiu se dedicar a fazer testes e contatos para crescer profissionalmente, na dramaturgia e na moda.

“Eu acabei de ser agenciada pela agência 40 Graus Models e foi um presente. Esse é um processo para viver novas trocas, aprender, estudar muito e tentar a carreira por aqui”, celebra.

Recentemente, a modelo itabirana foi destaque no desfile do conterrâneo, o estilista Ronaldo Silvestre, em sua estreia na São Paulo Fashion Week (SPFW). “Receber um convite dele foi uma coisa que eu nunca imaginei. Eu não sou muito alta, tenho só 1,71. Então, eu não tinha mais o sonho de desfilar na SPFW. Eu achava que não era pra mim. Por isso, o convite me deixou muito emocionada”, relembra.

Alice Sanffer destaca que, mesmo com seis anos de estrada, ainda há um longo caminho a percorrer. “Quero conquistar estabilidade financeira para investir em projetos sociais, dar voz a outras pessoas”. E deixa um recado importante para quem está trilhando a mesma rota. “Faça acontecer, não espere ninguém para começar. Não se compare. Entenda que as dificuldades é que vão te construir e deixar pronto. Elas são um alicerce do sucesso”, finaliza.

Foto: Marcelo Poleze

Amor à primeira vista

Outro nome que vem brilhando nas páginas de moda é o de Dan Dryez. Com apenas 18 anos, esse itabirano carrega consigo uma infância alegre, mas profunda. “O que sempre me diferenciou de grande parte das outras crianças, foi a constante insistência em querer me aprofundar em toda e qualquer questão sobre a vida”, relembra.

Dan também não almejava a carreira no mundo da moda. “Confesso que nunca esteve em minha mente, foi algo que aconteceu muito de repente. Mas, foi como um amor à primeira vista”, conta. Ele se dedicava à carreira de fotógrafo até chegar a pandemia do coronavírus. “Os trabalhos desapareceram e comecei a fazer fotos minhas. Então, postei no meu perfil pessoal no Instagram e foi o suficiente para receber comentários positivos”, descreve.

Mesmo com pessoas próximas dizendo que ele deveria começar a atuar à frente das lentes, Dan precisou receber de um olheiro de uma agência para acreditar. “Demorei à respondê-lo. Mas, simplesmente pensei: ‘seja o que Deus quiser’, e me joguei”, destaca.

O que começou como um risco, se tornou um plano de vida. Dan Dryez tem o foco elevar sua carreira ao patamar internacional. Um dos primeiros passos foi desfilar para a edição 2021 da São Paulo Fashion Week. Ele também integrou o casting do estilista Ronaldo Silvestre. “Poder representar uma marca e um designer conterrâneo é uma das responsabilidades mais prazerosas e gratificantes”, conta.

Essa parceria entre itabiranos é uma constante na caminhada de Dan. Ele conta com um agente internacional, também nascido em Itabira, Miguel Crispim.

“Ele que é responsável pela minha carreira. Em Belo Horizonte, sou representado pela Moyo Management e em São Paulo faço parte do casting da Way Model”, explica.

Sobre a dedicação à profissão, Dan cite palavras que todo modelo iniciante deve repetir para si: persistência, paciência e resistência. “O caminho não é fácil, mas não existe história para quem não se arrisca. Tire o sonho do papel e leve para a realidade. O seu principal incentivo deve ser você. Seja seu principal apoiador, principal admirador e principal fonte de energia”, conclui.

Foto: André Solano

De menino tímido à capa de revista

A timidez sempre esteve presente na vida de Glauber Andrelino. “Eu nasci em Itabira, filho único e tive uma criação muito boa dos meus pais. Fui uma criança muito tímida. Por isso, nunca pensei em ser modelo. Tive várias áreas profissionais, em mente, mas quando eu comecei a tirar fotos mais elaboradas, os incentivos vieram”, comenta.

Foi a mãe de Glauber quem o levou para o mundo da moda. “Quando eu tinha 18 anos, ela me fez para participar de uma convenção que eu nem queria ir. Ao todo, mais de 300 pessoas participaram e 12 agências estavam lá fazendo a seleção. Eu fui escolhido por seis dessas agências. Entre elas, estava a 40 Graus Models”, lembra. Ali, Glauber assinava um contrato que dura até hoje.

O itabirano divide casting com a conterrânea Alice Sanffer, na agência carioca. E, por isso, optou por se mudar para o Rio de Janeiro. Além disso, ele já vislumbra alcance mundial na área. “Quero viver bem e poder dar uma vida boa para meus pais; ser reconhecido pelo meu trabalho; e realizar os meus sonhos”, revela. E um deles se realizou esse ano quando desfilou na SPFW para Ronaldo Silvestre.

“No ano passado eu estava assistindo e pensando: ‘será que um dia eu vou conseguir desfilar no SPFW?’. Esse ano aconteceu”, conta.

Glauber não esconde a empolgação com a oportunidade. “Foi incrível! Uma das melhores experiências que tive na minha vida”. Mas, não tira os pés do chão. O modelo itabirano sabe que a carreira, muitas vezes, se desdobra lentamente. Mas, ele se permite reconhecer as conquistas que já acumula, como a participação no programa “Rolê nas Gerais”, da Globo Minas, com a Kbooxcrew, um projeto de cabelos afros do amigo Kbox.

Porém, para o itabirano, estampar a capa da revista californiana de moda Elegant Magazine não teve preço. “Fui convidado para participar de um editorial do fotógrafo Glauber Bassi. Eu achava que as minhas fotos estariam dentro da revista, entre vários ensaios e modelos. Mas, eu fui para a capa! Fiquei muito feliz!”, comemora.

Sobre conselhos para quem pretende investir na carreira, Glauber é muito claro: tem que batalhar. “Eu sei que às vezes dá vontade de parar. Mas, se você desistir, quem vai lutar por você? Se é o que você quer, corra atrás. Vai caminhando aos poucos. E, principalmente, nunca se esqueça de onde veio e não perca sua essência e nem a humildade”, recomenda.

Foto: Glauber Bassi