Artista de produtora itabirana faz vaquinha para se apresentar na Bienal de Florença

Hoje com 32 anos, Deivison Silvestre possui uma relação de amor com as artes desde a infância

Artista de produtora itabirana faz vaquinha para se apresentar na Bienal de Florença
A relação que se iniciou com um pedaço de carvão ganhará novos capítulos em outubro. Foto: Divulgação
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Durante a infância, o pequeno Deivison Silvestre era um apaixonado pelas histórias em quadrinhos, cinema e animações. Na adolescência, com o senso crítico um pouco mais apurado, o marianense passou a estudar sobre a história da arte e refletir sobre qual lugar da sociedade os seus trabalhos – principalmente a produção de gravuras e pinturas – poderiam alcançar. Agora em 2021, aos 32 anos, ele se prepara para um dos principais desafios da sua trajetória: a participação na XIII Bienal de Florença, entre 23 e 31 de outubro.

Bienal de Florença
Foto: Divulgação

Agenciado pela produtora itabirana “Asante Produtora Cultural”, o artista visual, natural de Mariana, criou uma vaquinha on-line para realizar seu sonho. Em Florença, ele poderá apresentar seu trabalho em uma das maiores exposições internacionais de arte contemporânea e design do mundo. Deivison é um dos quatro brasileiros selecionados para participarem da mostra.

A princípio, a vaquinha possui três metas: a primeira é arrecadar R$ 5 mil reais, como parte do recurso para enviar as obras criadas, exclusivamente, para a Bienal de Florença. A segunda meta, no valor de R$ 15 mil reais, servirá para finalizar o processo de documentação e envio das obras. Por fim, a terceira meta é chegar aos R$ 50 mil, para, aí sim, estar presente no evento e representar Minas Gerais. Você pode fazer a sua contribuição clicando aqui.

Bienal de Florença
Foto: Divulgação

Além da campanha on-line, também são aceitas doações, de qualquer valor, pelo Pix, cuja chave é 31982277861. Empresas interessadas em patrocinar a experiência do mineiro em solo italiano também podem procurar contato.

Uma paixão de infância

A relação de Deivison com o mundo das artes visuais é antiga, desde a sua infância. A mãe e a avó eram grandes incentivadoras da sua veia artística, que começou de maneira bem simples, com um pedaço de carvão.

“Nos anos iniciais da educação básica, eu tinha seis anos de idade e já era uma estratégia da minha mãe e minha avó convencer a pedagoga da escola que me deixassem com papel e canetas desenhando. Morávamos num casebre, minha avó é umbandista, e, enquanto os cultos religiosos aconteciam na sala, eu desenhava as paredes com um pedaço de carvão retirado do fogão à lenha”, relembra.

“Minha arte sempre foi genuína e minhas narrativas eram subjetivas: expressavam o contexto de miséria que eu vivia, violência, pobreza, fome e religiosidade. Na adolescência, os estudos sobre história da arte e minha produção habitual de gravuras e pinturas me levaram a pensar qual era o lugar da minha arte.”

Bienal de Florença
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Inspirado por várias vertentes, como cubismo, surrealismo, expressionismo e movimentos de arte urbana, Deivison será o único artista negro entre os participantes da mostra. Para ele, esta experiência poderá ser uma inspiração a outras pessoas que enfrentam barreiras parecidas.

“Na condição de artista negro, eu compreendo a relevância para a história da arte minha aprovação num evento mundial, uma bienal. O contexto histórico político do meu país reduz a condição do negro à marginalidade. Nas artes visuais, essas figuras são apagadas pela história e muitas das vezes o artista negro morre primeiro que sua arte. Poder contribuir com minha arte é ter, para além das minhas ambições pessoais como artista, a certeza de que outros jovens negros podem sustentar a esperança em seu trabalho, na possibilidade de realização pessoal, mesmo quando o contexto histórico imprimi sobre seu corpo rótulos predicativos que exercem força contrária ao seu desejo de viver e não só existir”, ressalta.

E por tudo isso envolvido, a expectativa do representante mineiro na Bienal é enorme. “Sou tomado por uma expectativa maravilhosa! Uma ansiedade diferente da adrenalina dos pensamentos destrutivos. Foram anos de dedicação às artes, não posso esperar um resultado menor que o sentimento de um passo na história da arte. Nunca caminhei só: uma rede extensa de amigos, família e pessoas que acreditam no meu trabalho se mobiliza para tornar possível minha crença na Simiosofia. Agradeço a todos esses amigos, sobretudo a Asante, minha produtora, que nesse momento tem sido fundamental no processo de gestão da minha carreira.”

“É um passo importante na carreira. A Bienal de Florença, torna a visibilidade do meu trabalho ainda mais extensa, leva meu discurso pictórico e filosófico a outros países, continentes, um número expressivo de pessoas distintas me permitindo falar como vejo o mundo… sem dizer uma palavra”, acrescenta.

Bienal de Florença
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Esta não será a primeira vez que o público italiano, tampouco o internacional, como um todo, possui contato com a obra de Deivison, cujas inspirações são nomes como Farnese de Andrade, Olivier de Sagazan e Bosch. O trabalho do marianense também já foi exposto em Madrid, capital espanhola, e em outra oportunidade na Itália. O mesmo ocorreu em várias cidades brasileiras, como Mariana, Ouro Preto, Itabira, Itabirito, Belo Horizonte, Santa Luzia e Rio de Janeiro.

Sobre o evento

Fundada no final da década de 90, a Bienal de Florença é considerada uma das maiores exposições internacionais de arte contemporânea e design do mundo. Quase 6.000 artistas de mais de 100 países já participaram do evento como expositores em uma ou mais edições. A bienal é realizada com o patrocínio das autoridades governamentais, regionais e municipais italianas.