Vereadores de Morro do Pilar votam hoje projeto que fecha de vez o único hospital da cidade
Fundação Hospitalar foi criada no pequeno município há mais de 30 anos
O único hospital existente no município de Morro do Pilar, na microrregião de Conceição do Mato Dentro, pode ser extinto. Na noite dessa segunda-feira, 30 de outubro, os nove vereadores da cidade de pouco mais de 3 mil habitantes votam um projeto de lei que põe fim à Fundação Hospitalar Joaquim Bento de Aguiar.
A fundação foi criada em 1983, por meio de lei municipal. Desde 2014, no entanto, está desativada e o município encaminha pacientes para tratamentos e urgências às unidades hospitalares de Itabira e Belo Horizonte, por exemplo.
A proposta de extinguir o hospital é assinada pelo prefeito da cidade, José de Matos Vieira Neto, o Juca (PDT). Na justificativa anexada ao projeto de lei, que chegou à Câmara de Morro de Pilar em agosto passado, o gestor municipal ressalta não haver “perspectivas de reabertura da instituição” e frisou a necessidade de enxugar despesas.
O hospital está às voltas em processos de irregularidades desde 2004, quando a Vigilância Sanitária interditou suas instalações por más condições da cozinha e lavanderia, por exemplo. Naquele momento, o hospital foi impedido de internar pacientes.
Outra complicação no caso do hospital é que desde 2014 ele está sem prestação de contas, o que põe o município em maus lençóis com o Fisco.
Todavia, o quadro de saúde pública em Morro do Pilar revela um cenário dramático. Na gestão passada, o Posto de Saúde da cidade fora demolido para aproveitamento do lote pelo município, para acessar recursos à construção de uma nova Unidade Básica de Saúde (UBS).
A nova UBS contaria com recursos do Governo Federal e Manabi. Porém, teve impasses licitatórios e as obras não foram à frente.
Hoje, UBS e Programa Saúde da Família (PSF) funcionam irregularmente acima da Fundação Hospitalar, com atendimentos primários.
Com a extinção da Fundação Hospitalar Joaquim Bento de Aguiar, a Prefeitura deseja criar no espaço uma unidade mista de saúde, conforme explicou o jurídico do Executivo municipal na Câmara de Vereadores.
A matéria promete esquentar o debate. Quase no meio a meio, governistas podem aprovar o projeto. Do outro lado, vereadores apontam que a extinção da Fundação Hospitalar “é o caminho mais fácil” no impasse da saúde morrense.