Obra de Drummond pode movimentar economia itabirana, indica produtor cultural

Marcos Alcântara: “Nós temos que parar um pouco de pensar em evento como entretenimento”

Obra de Drummond pode movimentar economia itabirana, indica produtor cultural

No mês dos 30 anos sem o poeta maior de Itabira, o ex-superintendente da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), Marcos Alcântara, ressalta que a vocação literária da cidade é oportuna à geração de emprego e renda. Na avaliação dele, falta engajamento dos diversos segmentos locais para preservar o legado do poeta e, dessa forma, fomentar desenvolvimento econômico. “Nós temos que parar um pouco de pensar em evento como entretenimento e pensar em evento como indústria cultural econômica”, diz.

O produtor pontua que há uma cadeia da gestão cultural que pode ser melhor explorada em Itabira, movimentando a economia local seja na implantação de políticas, planejamento, captação de recursos, pré-produção, execução ou pós-produção. Uma possibilidade, opina, são feiras literárias, a exemplo de cidades como Ouro Preto e Paraty, no Rio de Janeiro. “No país temos feiras literárias que geram mais de três mil empregos que movimentam a economia em diversos segmentos”.

Para Marcos, os investimentos em projetos culturais não devem partir somente do poder público. Ele cita que a Lei Rouanet, também conhecida como Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei 8.313/91) permite que pessoas jurídicas e físicas destinem parte do seus Impostos de Renda (IR) para apoiar projetos culturais.

O Artigo 18 da legislação, por exemplo, permite ao patrocinador abater 100% do valor investido. É uma forma de estimular o apoio da iniciativa privada ao setor cultural. “Um grande evento literário na cidade de Itabira pode gerar, pelo menos, 1 mil empregos diretos”.

Marcos Alcântara também destacou a importância do projeto Drummonzinhos, do qual fez parte em 2002. O projeto trabalha com jovens do município treinados para recitar os principais textos de Carlos Drummond de Andrade e também guiar os turistas pelo museu de território Caminhos Drummondianos. 

“Quando o itabirano começar a vivenciar, de fato, a obra drummondiana, ele vai perceber a riqueza dessa obra, irá valorizá-la e entender todas as suas possibilidades”, observa o ex-superintendente.

Alcântara defendeu o assunto na última semana, na Câmara de Vereadores, a convite do vereador Paulo Soares (PRB).