Anvisa dá parecer contrário ao cultivo da maconha para fins medicinais

Anvisa quer criar regras antes que cultivo da maconha para fins medicinais seja liberado no Brasil

Anvisa dá parecer contrário ao cultivo da maconha para fins medicinais

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) parecer contrário à liberação do cultivo de maconha para fins científicos ou medicinais. Segundo o portal G1, no documento, que foi enviado nesta semana, o órgão diz que, antes de dar a liberação, é importante que o tema ganhe uma regulamentação ou projeto específico.

No parecer, a Anvisa demonstra preocupação em incentivar atos ilícitos com a liberação do cultivo da planta. O órgão cita efeitos e riscos da maconha, como problemas pulmonares, cardiovasculares e psiquiátricos.

No texto enviado ao STF, a agência diz que como “trata-se de uma planta com potencial de desvio para canais ilícitos”, a liberação do cultivo deve levar em conta fatores como os efeitos, locais de plantio, controle, segurança, formas de entrega, cadastro e acompanhamento dos pacientes, gerenciamento de dados sobre a atividade, custos e qualidade do produto.

Trabalho

Segundo a Anvisa, está sendo desenvolvido pelo órgão um trabalhado para propor a regulamentação específica da maconha para uso medicinal. Um grupo de funcionários da agência tem realizado reuniões internas e com autoridades sanitárias de outros países, como Israel, Canadá, Holanda, Chile e Estados Unidos, para verificar como o assunto é tratado fora do Brasil.

Ainda segundo o G1, os resultados parciais do trabalho feito pela agência foram apresentados em reunião feitas no mês passado com representantes da Casa Civil, Polícia Federal e os ministérios da Saúde e da Justiça. Agora, a Anvisa ainda pretende convidar pesquisadores e outras instituições ligadas ao assunto para participar do debate.

Apesar disso, já existem decisões da justiça brasileira que autorizam famílias a cultivarem maconha para tratar doenças.

Medicinal

A Anvisa incluiu, em maio deste ano, a Cannabis Sativa na Lista Completa das Denominações Comuns Brasileiras (DCB) sob a categoria de “planta medicinal”. Essa lista define os nomes oficiais de fármacos, princípios ativos, plantas medicinais e outras substâncias de interesse médico.


O órgão também já aprovou, em janeiro, o registro do primeiro remédio à base de maconha no Brasil. Com o nome comercial Mevatyl, a droga já é aprovada em outros 28 países, incluindo Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Suíça e Israel, onde é conhecido por Sativex.

O medicamento é indicado para pacientes adultos com espasticidade de grave a moderada relacionada à esclerose múltipla, que não respondam a outros medicamentos e que demonstrem uma boa resposta ao Mevatyl após um período inicial de tratamento.

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