“Poderíamos ter o dobro do efetivo que a sensação de impunidade seria a mesma”, lamenta delegado
Paulo Tavares enfatizou uma legislação penal que, a seu ver, pode ser pouco eficaz
“Não adiantaria termos hoje em Itabira o nosso quadro funcional completo. Poderíamos ter o dobro do efetivo que a sensação de impunidade seria a mesma. Não adianta colocarmos mil, dois mil, três mil, quantos forem os criminosos atrás das grades. O problema é mantê-los atrás das grades”.
O desabafo, do delegado regional Paulo Tavares Neto, foi aplaudido na noite dessa terça-feira, 11 de julho, ocasião em que se discutiu, na Câmara de Vereadores, a crescente criminalidade na cidade.
Na audiência pública sobre segurança, o auditório do Legislativo reuniu manifestantes, agentes políticos e representantes das polícias Civil e Militar e Conselho Comunitário de Segurança Pública (Consep). Faltaram membros do Judiciário e convidados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
O comando das polícias no município, representado por Paulo Tavares e o subcomandante do 26º Batalhão de Polícia Militar, Major Rogério Fernandes, pontuou o trabalho árduo no combate à violência, problema que vai muito além da alçada das corporações.
Na avaliação de Paulo Tavares, a severidade das penas é o que pode inibir os crimes, além de se pensar a educação e assistência social. “Culpam a polícia pelo aumento da criminalidade. Só que nós – e me refiro a todo o sistema de segurança pública – atuamos na consequência. Na causa nós não atuamos. Nós somente tratamos da consequência do fato e, infelizmente, não podemos dar a devida condução da consequência. Porque não temos mecanismos eficazes para manter presos determinados indivíduos”, continuou o delegado regional.
Major Rogério reconheceu uma criminalidade que assusta a cidade de 120 mil habitantes: 17 assassinatos foram registrados de janeiro até agora, conforme a PM. A maioria dos casos está atribuída ao tráfico de drogas. “Temos desenvolvido operações em toda a cidade, por 24h, de forma que já temos mais de cinco mil operações realizadas dentro de Itabira neste ano e mais de mil prisões efetuadas”, defendeu o oficial.
A audiência reuniu dezenas de participantes no auditório da Câmara de Vereadores de Itabira. Foto: Wesley Rodrigues/DeFato
Município
A representante do Executivo, a secretária de Desenvolvimento Urbano, Priscila Braga, afirmou obras de revitalização viária promovidas pela Prefeitura de Itabira, reforço na iluminação e capina de lotes.
Foi ao município, inclusive, que as principais propostas levantadas na audiência pública foram direcionadas, feitas sobretudo pelos opositores André Viana (PTN) e Vetão (PSB): criação da guarda civil armada; portais e sentinelas no acesso à cidade; plano estratégico de iluminação e mapeamento de áreas precárias; campanhas educativas nas escolas e aumento do repasse às polícias. Nesse último ponto, o governo municipal repassa a PM cerca de R$ 11.500 por mês e R$ 8.500 à Polícia Civil – interpretado pelos participantes como um investimento baixo.
Priscila Braga se comprometeu a levar as reivindicações ao Executivo. Foi apontado também a necessidade de postos policiais em bairros de maior incidência criminal. Major Rogério citou que para as unidades, no entanto, muito além da infraestrutura, é necessário maior efetivo policial, o que compete ao Estado.
A audiência trouxe à tona ainda a necessidade de articulação política para que a cidade tenha um Centro Socioeducativo para acautelamento de adolescentes.