Em Itabira, presidente do Coren lamenta baixos salários e jornadas desgastantes de enfermeiros
Presidente do Conselho Regional de Enfermagem esteve na Câmara de Itabira e pediu apoio aos vereadores em reivindicações da classe

Tramita na Câmara de Vereadores de Itabira o Projeto de Lei nº 44/17, de autoria do vereador Reinaldo Lacerda (PHS), que determina, entre outros, que profissionais de Enfermagem tenham pelo menos duas horas de descanso em jornadas de 12 horas no município. A matéria será apreciada pelas comissões temáticas da Casa nesta quinta-feira, 22 de junho, e pode ser votada na próxima semana.
Na terça-feira (20), a convite de Reinaldo Lacerda, visitou a Câmara o presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) de Minas Gerais, Marcos Rúbio. Na ocasião, o enfermeiro citou a luta da classe por melhores condições de trabalho, jornada adequada e piso salarial.
Rúbio chamou a atenção para as jornadas longas de trabalho nas instituições mineiras o que, a seu ver, além de comprometer a saúde do trabalhador prejudica o atendimento à população. “Existe um trabalho científico recente, da Organização Mundial da Saúde (OMS), que comprova que depois de seis horas trabalhadas o profissional da saúde começa a ter um déficit de concentração. Isso o leva a cometer um erro no exercício profissional”, comentou, em discurso na tribuna da Câmara.

Nesse cenário, tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) o PL 691/15, que estipula 30 horas semanais para os profissionais de enfermagem na rede hospitalar pública do Estado. A proposta é do deputado estadual Celinho do Sinttrocel (PCdoB).
Do mesmo deputado é o PL 1.032/15, que estabelece piso salarial para profissionais da Enfermagem no Estado. Conforme o texto, para o enfermeiro o valor seria de R$ 5.450,00; para o técnico de Enfermagem, R$ 3.815,00 e; de R$ 2.525,00 para o auxiliar. As duas matérias estão “travadas” na Comissão de Constituição e Justiça da ALMG.
Marcos Rúbio lamentou salários baixos à categoria, o que motiva profissionais a terem dois ou mais empregos, reduzindo a qualidade do atendimento. “Queremos que o profissional tenha um piso digno. Na medida em que se tem um piso salarial digno, esse profissional não precisa ter dois empregos. Ele tem dois empregos hoje porque ganha mal. Isso não é bom para a sociedade”.
O presidente citou ainda relatos de agressão por quem trabalha na área, inclusive na região. “A população procura a instituição porque está doente e, ao chegar, constata a crise que está em nossa saúde – não tem médico, medicamentos ou leitos. E quem está na linha de frente é o nosso profissional”, continuou.
Vereadores de Itabira manifestaram pesar às queixas do presidente do Coren e afirmaram um compromisso de reivindicarem melhorias à categoria. Na cidade, Marcos Rúbio se reuniu também com profissionais da área. Visitou o Hospital Municipal Carlos Chagas, onde ouviu demandas da classe.





