Proprietário da Zenith, primeira livraria de Itabira, recebe moção de aplausos

A indicação foi realizada pela vereadora Rose Félix

Proprietário da Zenith, primeira livraria de Itabira, recebe moção de aplausos
Foto: Arquivo pessoal
O conteúdo continua após o anúncio


No início do mês de maio, o proprietário da Papelaria e Livraria Zenith, Messias Gomes Costa (92), foi surpreendido com um convite muito especial. A vereadora de Itabira, Rose Félix o indicou para receber moção de aplausos na Câmara Municipal de Itabira. Aprovada pelos vereadores, o empresário  recebeu a homenagem no último dia 4.

“Entregar essa homenagem à primeira livraria, e um dos comércios mais antigos da cidade, é uma honra para mim. Tive a felicidade de crescer com meus pais comprando “fiado” o nosso material escolar naquela livraria. O Sr. Messias e D. Eny, sempre atenciosos no atendimento e tolerantes com os atrasos no pagamento. Com sete filhos, meus pais muitas vezes tiveram dificuldades em pagar em dia. Gratidão à livraria Zenith e a toda família que faz dela parte da história da nossa cidade”, agradece Rose.

Para Messias receber esta homenagem foi muito importante. “Eu até adoeci. Fiquei muito emocionado. Ia até fazer um agradecimento, mas não me deram tempo. Então, quero fazer um agradecimento à vereadora Rose Félix quem me indicou com a aprovação dos vereadores, o presidente da Câmara Municipal de Itabira, Éverton Leandro Santos Andrade e os vereadores pela homenagem que recebi”, celebra.

Trajetória

Tudo começou, há mais de 60 anos, na cidade de Itabira. Na época, Messias trabalhava como engraxate. Ele sempre entregava uma revista para o cliente ler durante o tempo que aguardava o serviço ficar pronto. No entanto, muitos deles acabavam esquecendo e levando para casa. Daí, surgiu a ideia do empreendedor vender as revistas aos seus clientes. Então, ele e sua esposa Eny Bragança Costa (88), iniciaram uma longa história de sucesso.

“Sem a minha esposa, eu não teria conseguido nada disso. Eu comecei a vender revistas com ela em uma pequena loja, embaixo do hotel Itabira. Não existia ninguém na cidade que vendia revistas. Certa vez, um viajante que veio do Rio de Janeiro, me ofereceu livros para comprar e eu comprei. Assim, passei a vender livros também. Eu ia a Belo Horizonte para comprar cadernos, lápis e canetas para vender aqui. Dessa forma, fomos crescendo”, detalha Messias.

Mulher de garra

Conhecida por ser uma mulher visionária, Eny conta que sempre foi muito corajosa. “Eu tenho muita garra para enfrentar os desafios. Sempre gostei demais do que fazia; de comunicar; conversar; trocar ideias e até trocar livros. Antigamente, eu alugava romances para ler. Por isso, sabia que a literatura de Itabira precisava ser desenvolvida. E foi o que fizemos. Posso dizer que tenho o comércio na veia”, brinca.

Ela atribui tudo que conseguiram ao longo desses anos a Deus.“Eu acredito na providência divina e na força da oração. Pode acreditar. A gente conquistou o que tem hoje pela fé e perseverança”. Quando pergunto se em algum momento pensaram em desistir, eles dizem que sim. “No momento em que a despesa aumentava e a divisa não corria no mesmo ritmo. Período em que tínhamos cinco filhos na faculdade. Mas foi a confiança em Deus que fez a gente vencer”, completa.

Homenagem

Para homenagear a mãe, Messias colocou o nome da livraria e papelaria de Zenith. “Começamos como Agência Gomes e depois mudamos o nome atual. Nossa primeira filha se chama Zenith. A segunda filha tem o nome da avó materna que é Tereza. Já os nomes dos outros filhos Cláudia, Maria do Rosário, Geraldo e Marta não foram escolhidos para homenagear ninguém”, brinca.

Clientes amigos

Messias sempre tratou seus clientes de forma bastante cordial. “Acredito que a empresa sobreviveu no mercado por tantos anos devido ao atendimento. Tínhamos com os clientes uma relação muito próxima e existiam aqueles que iam à livraria todos os dias. Eu vendia e dividia em várias parcelas. Entendia a dificuldade das pessoas e facilitava muito o pagamento”, relembra. Além disso, o casal conta que ali não foi um lugar para conhecer apenas clientes e sim, amigos.

Desde a pandemia, o casal resolveu se afastar da loja e dizem que sentem muita falta de ter aquele contato com os clientes. Com a frase que levam para a vida e que também é o slogan da loja: “Contribuindo sempre para o bem do ensino”, o casal termina contando que a história continua. Emocionados, revelam que uma das filhas, Tereza, segue o legado da família dirigindo a Zenith.