Damon e Bernardo Mucida trocam farpas na Câmara

O clima esquentou entre os dois agentes políticos na reunião desta quinta-feira

Damon e Bernardo Mucida trocam farpas na Câmara

A Câmara de Vereadores de Itabira teve nesta quinta-feira, 22 de dezembro, uma última reunião, extraordinária, para votar matérias pendentes na Casa legislativa. O expediente teve três sessões: duas para discussão e votação e uma especial para uso da tribuna. A reunião teve início pouco depois das 8h da manhã. Um dos primeiros a se sentar no auditório foi o atual prefeito de Itabira, Damon Lázaro de Sena (PV).

Tão logo foi aberta a primeira sessão, a Câmara foi palco de ânimos exaltados. O primeiro item da pauta contemplava o Projeto de Resolução 85/2016, que aprova o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o contrato firmado entre o município e a empresa Prius Planejamento, Gestão e Tecnologia da Informação Ltda, em 2014.

Na reunião anterior, na terça-feira (20), o PL foi retirado para vista por Lado de Dona Dudu (PMDB). No retorno da matéria à pauta, hoje, Palhaço Batatinha (PSDB) foi um dos primeiros a falar. Destacou a presença de Damon na Casa e defendeu que ele fosse à tribuna se justificar sobre o caso.

Bernardo Mucida (PSB) e Torrinha (PHS) foram contra o pedido. Ambos alegaram que a reunião extraordinária ocorreu para deliberar sobre as matérias pendentes, sem prolongar as discussões e, além disso, dar a palavra ao atual prefeito sem um requerimento e comunicação prévia iria contra o regimento interno.

Toninho da Pedreira (PPS) defendeu a relevância de ouvir o prefeito antes do relatório final ser votado. Torrinha rebateu: “a essa altura nada pode interferir no relatório final, que está concluído”. O presidente da CPI, José Mauro (PV), correligionário do prefeito, reforçou a defesa pelo pronunciamento de Damon. Lado de Dona Dudu (PMDB), por sua vez, quis mais: retirar o projeto de resolução da pauta. O relator da CPI, Sueliton Sousa (SDD), ficou irritado. “Retirar o projeto da pauta é um desrespeito. Exijo um parecer de alteração do relatório das reclamações dos senhores. Quais são as alterações? Não vai aprovar por que?”, disparou.


 

Sessão especial

O requerimento de Lado para retirada do projeto da primeira sessão foi derrubado pela maioria. Para obedecer ao regimento da Câmara, o presidente Rodrigo Diguerê (PV) decidiu por uma sessão especial para o pronunciamento de Damon.

Colocado em votação, finalmente, o Projeto de Resolução 85/2016 foi aprovado pelos parlamentares, com exceção de Lado, Batatinha, Solimar (SD) e Toninho.

O relatório final aponta que o contrato assinado em 2014, com custo total de R$ 9,2 milhões – o montante efetivamente pago foi de quase R$ 5 milhões – teve danos aos cofres públicos. As irregularidades apontadas são: licitação direcionada a um empresário financiador da campanha do atual prefeito e inexecução contratual, isto é, quando os serviços pactuados não foram entregues ou comprovados. O relatório seguirá agora para o Ministério Público do Estado de Minas Gerais.

Bate-boca

Após ser concluída a primeira sessão, o espaço foi aberto ao pronunciamento de Damon, que se sentou à mesa diretora. O discurso do prefeito teve um alvo: Bernardo Mucida, quem Damon citou ter sido companheiro político em anos anteriores. O pevista travou embate com o parlamentar ora no pronunciamento, ora em entrevista à imprensa ao terminar o discurso. Para Damon, a CPI foi “inconsistente e injusta” e, de acordo ele, houve sim a entrega de serviços pela Prius, que teria recebido pelo que realmente cumpriu ao município.

O chefe do Executivo citou sua proximidade com o vereador e a família e lembrou que Mucida e ele já estiveram juntos nos mesmos partidos – PSB e PV, por exemplo. Damon falou sobre sua relação mais recente com o socialista, anterior ao pleito de 2012. “Fizemos um acordo de que faríamos uma pesquisa para que o melhor colocado fosse candidato, o segundo o vice, e o terceiro, sairia deputado estadual com o apoio de nosso grupo. Esse acordo foi feito entre eu, Reginaldo Calixto e Bernardo Mucida. Apareci em primeiro, Reginaldo em segundo e assim formou-se uma chapa. Bernardo seria nosso deputado estadual. Mas, na convenção, ele começou com o papel de oposição, querendo ser candidato a prefeito ainda em 2012 com o apoio do senhor Cácio Guerra (hoje DEM) e outros empresários”.

Damon destacou também que Bernardo Mucida teve participação em sua campanha vitoriosa em 2012. “O senhor Bernardo Mucida nos ajudou a construir todo o nosso plano de governo. Todo o plano passou pela observação dele. Entendo que dentro da CPI não deveria ter o senhor Bernardo Mucida por sua relação com Ricardo Fantoni dentro de tudo que aconteceu (campanha eleitoral). Bernardo Mucida deveria estar na condição de investigado”, declarou Damon à imprensa.

No plenário, Bernardo tentou interromper por diversas vezes o discurso de Damon e o prefeito rebateu e subiu o tom. “Ele se acha o dono da verdade, não constrói para Itabira e tenta se promover o tempo todo”. Um bate-boca se instaurou entre os dois agentes políticos e o presidente da Casa, Rodrigo Diguerê, tentou apaziguar e dar continuidade à sessão.

Em resposta, o advogado Bernardo Mucida reconheceu seu apoio a Damon no pleito de 2012. “As pessoas sabem que nas eleições de 2012 e o apoiei e posteriormente fui discordando dos caminhos do governo. A medida que esse posicionamento foi se aprofundando, o governo foi tomando decisões que eu criticava e discordava, e naturalmente adotei uma postura de oposição, uma atuação firme em fiscalizar e cobrar. Eu entendo que o prefeito veio justificar o mandato: para mim ele resumiu o fracasso do próprio governo”, retrucou.  

Mucida enfatizou que sua atuação junto à equipe de Damon se ateve ao plano de governo. “Eu participei da elaboração do plano de governo do candidato. Não estive presente em nenhuma contratação de empresa”.