Gerente do Saae: ETA Rio de Peixe atende parâmetros e crise hídrica justifica funcionamento
Gerente de produção do Saae, Sandro Costa, afirmou que água distribuída pela ETA Rio de Peixe atende exigências dos órgãos de saúde
A reunião ordinária da Câmara de Vereadores de Itabira nesta terça-feira, 8 de novembro, ganhou ares de audiência pública. O assunto principal foi a qualidade da água que chega para os moradores dos bairros atendidos pela Estação de Tratamento de Água (ETA) Rio de Peixe. Representantes da Vale e do Saae usaram a tribuna da Casa para falar sobre a situação. De acordo com o gerente de produção da autarquia, Sandro Costa, a unidade só já não está com a produção suspensa porque os exames atestam enquadramento no que é preconizado pelos órgãos de saúde e porque a cidade passa por uma grave crise hídrica.
A ETA Rio de Peixe atende aos bairros Santa Ruth, João XXIII, Fênix, Bálsamos e adjacências. Representantes de uma comissão montada por moradores dessas localidades compareceram à reunião e protestaram contra a qualidade da água. Alguns deles levaram pets com o líquido e fizeram questão que vereadores e representantes da Vale e do Saae cheirassem a água. Outros, mais exaltados, lançaram o desafio de que alguém bebesse da água, o que não aconteceu.
Sandro afirmou que o Saae já avançou muito na purificação da água tratada pela ETA Rio de Peixe. Ele comentou que os trabalhos da autarquia para solucionar o problema começaram em janeiro de 2016, tão logo surgiram as primeiras reclamações de moradores. O gerente de produção garantiu, no entanto, que em nenhum momento o Saae distribuiu água com metais pesados, agrotóxicos ou corpos microbiológicos acima do que é permitido pelos órgãos de saúde. “Se tiver um parâmetro fora do estabelecido pelos órgãos de saúde, aquela ETA será parada”, exclamou.

Moradora entrega água a vereadores para que eles cheirem o líquido
Rejeito e manganês
O gerente-geral das minas da Vale em Itabira, Fernando Carneiro, comentou durante a reunião que a ETA Rio de Peixe foi instalada dentro de uma área de rejeitos do projeto Itabiritos. A estação foi construída por meio de uma parceria entre o município e a mineradora, que forneceu R$ 1,5 milhão aos cofres públicos. Segundo explicou, a captação já está em um terceiro ponto diferente desde que a ETA foi inaugurada, em outubro do ano passado.
O primeiro ponto de captação foi o mais problemático, pois era muito dentro da área de concentração de rejeitos. Com tantas reclamações, chegou-se ao acordo de transferir a retirada da água para o outro extremo do Rio de Peixe, a três quilômetros do local inicial, próximo ao presídio de Itabira. No entanto, durante o processo, faltaram tubos para fazer a ligação. Dessa forma, um terceiro ponto, intermediário entre os dois, foi adaptado para fazer a captação enquanto os materiais não chegavam a Itabira.
De acordo com Fernando Carneiro, a captação definitiva, próximo ao presídio, teve início no dia 19 de outubro. “Não é segredo para ninguém que a captação é feita em uma área de rejeitos e também não é segredo que isso causa turbidez. As pessoas perguntam porque retirar água em uma área de rejeitos, mas essa foi a única alternativa de curto prazo apresentada pelas pessoas que discutem a situação da água em Itabira”, afirmou o gerente da Vale.
A proximidade com os rejeitos da Vale faz com que a água captada para a ETA Rio de Peixe tenha teor significativo de manganês. Por causa disso, o Saae tem aplicado solução de ortopolifosfato para tornar o líquido consumível. Segundo o gerente da autarquia, Sandro Costa, o produto químico tem colocado a incidência do metal dentro do que é permitido pela legislação. “As portarias que a gente segue informam que quando há a adição do ortopolifosfato o índice aceitável do manganês é de 0,4 miligramas por litro. Hoje a nossa concentração é entre 0,2 e 0,3”, afirmou.

Gerente da Vale, Fernando Carneiro, mostra o ponto de captação da água que segue para a ETA Rio de Peixe
Última cartada
O representante do Saae elencou uma série de medidas tomadas pela autarquia para amenizar o problema da qualidade da água, desde a limpeza de reservatórios à mudança no ponto de captação, passando pela adição do ortopolifosfato e realização de pré-cloração. Mas as reclamações dos moradores continuam, especialmente no que diz respeito ao odor da água. Agora, o Saae prepara uma última cartada.
Serão instalados dois tanques-pulmão na ETA para injetar ar na água bruta (aquela que sai dos pontos de captação). Esse processo, chamado de aeração prévia, permite aumentar o tempo de detenção dentro da estação em cerca de 30 minutos. Com a água mais tempo dentro da ETA, os técnicos do SAAE terão também mais tempo para fazer a pré-cloração e minimizar o odor do líquido que chega na torneira dos moradores.
O prazo pedido por Sandro foi de 30 dias. Se, após esse período, o problema não for resolvido, a ETA será suspensa. “Se daqui a 30 dias, com a instalação desses dois tanques-pulmão, a gente não conseguir uma efetividade e agradar a população de maneira geral, a primeira ação a ser tomada vai ser esta, a interrupção do tratamento e uma busca de outras fontes de abastecimento”, garantiu.

Sandro Costa lista as medidas já tomadas pelo Saae para solucionar problema da água
Crise hídrica
Durante a reunião, vereadores como Bernardo Mucida (PSB), Allaim Gomes (PDT) e Geraldo Torrinha (PHS) chegaram a sugerir a interrupção imediata da ETA Rio de Peixe. Sandro Costa afirmou que essa possibilidade já foi estudada pelo Saae, mas que a crise hídrica pela qual Itabira passa, descrita por ele como “muito grave”, é um fator que dificulta essa medida.
“Se a gente suspende a ETA Rio de Peixe, aquela região voltará a ser atendida pela Pureza. Isso significaria um racionamento pesado, com água caindo a cada três, quatro dias”, advertiu o gerente do Saae. Para ele, caso haja a necessidade de interrupção das atividades da estação, o município terá que pensar em outro modo de abastecer os bairros atingidos.
O vereador Palhaço Batatinha (PSDB) pediu ao Saae que pare de cobrar a conta de água dos moradores afetados enquanto a situação não se resolve. Já Ronaldo Capoeira (PV) sugeriu que a autarquia forneça água mineral nessas localidades até que as medidas surtam efeito.