Falta de medicamentos continua na rede pública de Itabira; Prefeitura alega impasse com fornecedores
“Antes, faltavam cerca de 100 itens. Hoje, são apenas 69”, diz Prefeitura de Itabira

A promessa da Secretaria de Saúde de Itabira de recompor até o último mês de maio pelo menos 90% de seu estoque de medicamentos não foi cumprida. À época, o município reconheceu a falta de remédios nas unidades de saúde e serviços de emergência, e culpou a crise financeira e a alegada queda de arrecadação municipal, o que teria comprometido o pagamento de fornecedores das medicações.
Nessa terça-feira, 14 de junho, o impasse foi citado por vereadores em reunião ordinária. Eles afirmaram que o Legislativo tem recebido queixas constantes de pacientes da rede pública que não conseguem ter acesso às medicações essenciais que precisam nos postos de saúde de Itabira.
“O pobre não pode esperar, a doença não pode esperar. Há uma reclamação diária nos gabinetes. Para nós, isso é desesperador”, disse o vereador Allaim Gomes (PDT).
Na última semana, o médico Marco Antônio Gomes, responsável pelo setor de hemodiálise do Hospital Nossa Senhora das Dores, alertou os parlamentares sobre a falta de medicações especialmente às pessoas em tratamento de doença renal crônica.
O Sistema Único de Saúde (SUS) é o principal financiador no país de tratamento de terapia renal. Entre outras medicações em falta, Marco Antônio citou a dificuldade de realizar a reposição de eritropoietina aos pacientes. A eritropoietina, explicou, é um hormônio produzido pelos rins, importante para a produção dos glóbulos vermelhos.
“A saúde hoje está na UTI. A questão da medicação nos preocupa. De novembro (de 2015) para cá, tivemos dificuldade de oferecer medicação aos pacientes em tratamento dialítico. E há um risco iminente. O paciente renal crônico geralmente é hipertenso e a hipertensão acarreta uma série de outras complicações – uma delas é a morte”, lamentou.
Procurada por DeFato, a Secretaria de Saúde de Itabira enviou nota na tarde desta quarta-feira (15). A pasta afirmou que “pagamentos aos fornecedores foram realizados e os medicamentos estão sendo repostos semanalmente”.
“Antes, faltavam cerca de 100 itens. Hoje, são apenas 69”, diz o município, em atenção a fármacos que fazem parte da Relação Municipal de Medicamentos (Remume).
“O problema está na logística dos fornecedores e fabricantes que diminuíram a produção em virtude do cenário econômico. Eles não estão conseguindo entregar a demanda com agilidade. Também houve atraso na entrega dos medicamentos que são de responsabilidade do governo do estado”, argumenta a administração municipal.
Diante de um cenário crítico, a reposição completa dos estoques ainda não será uma realidade a curto prazo. “A previsão para o mês de julho é que sejam repostos mais 40 medicamentos. A Prefeitura de Itabira reafirma o seu compromisso em cuidar das pessoas e trabalha para melhorar a qualidade de vida da população”, encerra o posicionamento do Executivo.





