Comerciantes alimentam cachorros abandonados do Centro de Itabira

Negão, Neguinha, Clarinha, Silvana, Sebastiana, Bob, Pé de Pano… São muitos os cachorros de rua que sempre se alimentam com as colegas

Comerciantes alimentam cachorros abandonados do Centro de Itabira
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É impossível andar pelas ruas de Itabira e não se deparar com diversos cães abandonados, principalmente no Centro da cidade. Algumas pessoas sentem medo, outras querem brincar, outras ficam indiferente, outras, ainda, acabam acolhendo os cãezinhos que precisam de ajuda. Como é o caso das funcionárias de uma instituição financeira na avenida João Pinheiro, a gerente Fabiana Ferreira Pires e a vendedora Jaiara Cristina, cuidam há mais de quatro anos de cachorros abandonados na região central da cidade.  

Elas calculam que com ração, remédio e veterinário, já gastaram mais de R$ 10 mil com os cãezinhos. Negão, Neguinha, Clarinha, Silvana, Sebastiana, Bob, Pé de Pano… São muitos os cachorros de rua que sempre se alimentam com as colegas. Além de cuidarem dos animais da rua, Fabiana tem quatro cachorros em casa e Jaiara, três.

“Eles passam por aqui com a boca aberta de tanta sede, tomam muita água. Ficamos com dó”, contou Fabiana, apontando para o local onde estão os potinhos com água e comida ao lado da entrada da loja. Além de alimentar, as colegas dão remédios, vermífugos e injeções contra gravidez para os cães.

Elas contaram que quando chegam na loja às 8h da manhã a alegria dos cães é imensa. “A gente já chega aqui gritando `não pula, não pula, não pula´”, contou Jaiara. “Vem correndo e às vezes correm tanto que temos que sair correndo também para eles não baterem com a pata na gente”, brincou Fabiana. “Nosso banheiro fica lá fora e eles sempre nos acompanham quando vamos até lá”, disse Jaiara.

Até na hora do fim de expediente os cães são companheiros. Fabiana vai embora de moto e os cães costumam segui-la até certo ponto da avenida. Já Jaiara pega ônibus e vai acompanhada pelos cachorros até o ponto. “Eles me levam no ponto todos os dias”, contou Jaiara.

As comerciantes contaram como conheceram o vira-lata Pé de Pano. Elas tinham acabado de abrir a loja quando ele chegou chorando. “Eu perguntava para ele o que tinha acontecido ele vinha até mim e levantava a patinha. Pegamos ele, demos dipirona e ele parou de chorar. Ele vinha todos os dias no mesmo horário, tomava o remédio e ia embora”, relembrou Fabiana.

São inúmeros os momentos vividos entre as duas e os cães. Elas até já presenciaram um cachorro sendo atropelado na avenida. “O homem fugiu sem prestar ajuda e tivemos que levar o cão para o veterinário. Pagamos do nosso bolso”, relatou Jaiara.

 “Tem muita gente que nos crítica ou ameaça colocar veneno na comida deles. Muita gente passa por aqui também xinga ou chuta os cães”, lamentou Jaiara. “Nos sentimos muito felizes e gratas. Porque eles não sabem pedir ou falar, só ficam olhando para a gente”, argumentou Fabiana.

Quem puder colaborar com as comerciantes, doando ração ou medicamentos, favor entrar em contato pelo telefone (31) 3831-4827