Reitor da Unifei critica governo municipal e lamenta licitação “frágil” conduzida pela Prefeitura

Reitor Dagoberto Alves de Almeida usou tribuna na Câmara de Vereadores e não poupou críticas ao governo municipal

Reitor da Unifei critica governo municipal e lamenta licitação “frágil” conduzida pela Prefeitura

Presente à Câmara de Vereadores de Itabira nessa terça-feira, 24 de maio, o reitor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), Dagoberto Alves de Almeida, criticou a atual dificuldade de diálogo com o Executivo municipal. O dirigente da instituição, com campus na cidade, citou que “numerosos ofícios” foram formalizados à equipe do prefeito Damon Lázaro de Sena (PV), mas nenhum retorno ocorre por parte do governo. Entre os pedidos, está o de esclarecimentos sobre o edital de construção de prédio da Unifei suspenso recentemente pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e que, conforme o reitor, foi feito de forma unilateral pela Prefeitura de Itabira e com “fragilidades” alertadas antes por especialistas da universidade.

Foi a primeira vez que Dagoberto foi ao Legislativo de Itabira. O reitor afirmou à imprensa que o objetivo é “estreitar e fortalecer relações com o poder público”. O reitor ocupou a tribuna já no período da noite, após as deliberações dos vereadores em reunião ordinária. Dagoberto ressaltou que o contato com os parlamentares há muito era pleiteado e que “uma parceria sólida é a única forma de fortalecer a universidade e garantir a necessária sustentabilidade econômica para substituir o atual modelo que Itabira tem”.

O reitor da Unifei citou pontualmente a frustração com o edital de concorrência pública 001/2006, da Prefeitura de Itabira, que prevê a construção do prédio 3 da instituição. Após denúncia, o TCE barrou o processo em abril deste ano. Para o órgão, o certame, sob o regime de empreitada por preço unitário, apresentava exigências restringindo a competitividade e prejudicando o interesse público e de particulares.

“Esperávamos que essa licitação fosse um fato conclusivo com real aporte orçamentário, o que lamentavelmente não ocorreu. O TCE interrompe essa licitação e a Universidade não tem nenhuma informação oficial a esse respeito, apesar de seu reitor ter feito um ofício específico alertando as fragilidades desse processo”, disparou Dagoberto.

A suspensão do edital licitatório, detalha o TCE, ocorreu por “fixação de percentual de quantidades mínimas para a capacitação técnica-profissional e a exigência de atestado de capacidade técnico-operacional de construção, em uma mesma unidade, de medida igual ou superior a 900m²”. Na avaliação de Dagoberto, “a fragilidade do processo licitatório é tamanha que não há efetivamente dinheiro para tanto”. “É o que concluo e sou obrigado a supor porque não obtive uma resposta. Se isso é a verdade, pergunto, afinal de contas, o porquê desse processo licitatório ter sido colocado na praça? Que fragilidade extrema é essa?”, indagou o reitor.

Pista de atletismo

Dagoberto Almeida também criticou a demora do Executivo em instalar a pista de atletismo, à época orçada no valor de R$ 3 milhões, doada pelo governo federal à Universidade Federal de Itajubá, que fez o repasse à Prefeitura. Com 400 metros de extensão, a pista de padrão olímpico foi recebida pela administração municipal em 2014. “Numerosas tratativas, tanto formais, quanto informais, aconteceram entre servidores da universidade e servidores da Prefeitura. A realidade é que o tempo passou e até hoje a pista não foi instalada. Não tivemos até o momento nenhuma formalização sequer. E o que é pior: existe riscos desse patrimônio público estar em acentuada condição de deterioração”, disse, em tom de preocupação. O acadêmico reiterou que além de beneficiar a instituição, a pista atenderá a toda a comunidade.

Campus

Com discurso acalorado, o reitor lembrou o projeto contemporâneo concebido à Unifei entre os anos de 2011 e 2012 pela Gustavo Penna Arquiteto e Associados, com uma planta de pelo menos 100 mil metros quadrados de área construída.  O dirigente lamentou que o avanço da instituição em Itabira caminhe a passos curtos. Após o término do projeto a Unifei Itabira poderá ter capacidade para atender mais de 10 mil alunos, além de catapultar a economia local por meio de seu Parque Científico e Tecnológico. Hoje, a instituição tem cerca de 2 mil estudantes.

“A realidade hoje são as duas edificações que temos, mas a nossa expectativa é o projeto completo, da ordem de mais de R$ 400 milhões. Levaria vários anos para acontecer e ainda não aconteceu. Quanto tivemos a inauguração do prédio em ‘L’ em dezembro de 2015, nós tínhamos a expectativa quanto a essa nova licitação, na fala do senhor prefeito. Uma licitação milionária, de mais de 100 milhões. Uma licitação onde os pretendentes são empresas seguramente de peso pesado. Isso não ocorreu”, continuou.

A Unifei está em Itabira desde 2008. Dagoberto lembrou que sua gestão à frente da universidade se coincide com a atual gestão política de Itabira. No entanto, frisou gargalos no diálogo que até então estava restrito entre a direção da Unifei e o Executivo municipal. “Me traz a apreensão que se não pudéssemos emplacar uma licitação de mais de R$ 100 milhões porque não fazer um pouco menor, mais realista, com possibilidade efetiva de se tornar uma realidade? Em vez de fazermos tudo, fazermos pacotes menores que pudessem ser efetivamente realizados? O desenvolvimento disso não contou com a participação da universidade”, concluiu.