Para se casar, casal de itabiranos recolhe latinhas pela cidade
Ana Cláudia e Bruno Henrique namoram há um ano e oito meses

Se havia uma pedra no meio do caminho para levar o namoro de um ano e oito meses ao altar, Bruno Henrique e Ana Cláudia (ambos com 23 anos) arrumaram um jeito criativo de superar os obstáculos ao casório. Os dois jovens, que por força do destino já compartilham até o sobrenome, Santos, planejam se casar desde que a amizade, que começou há pouco mais de dois anos, virou amor. Só que no planejamento das juras eternas surgiu uma barreira: a dificuldade financeira, que atrapalhou a vida de muita gente nesses tempos de crise. Mas o casal não desanimou. Para juntar dinheiro para o terno, véu, grinalda e tantos outros itens, eles recolhem latinhas por Itabira afora. E já reuniram pelo menos 6 mil latinhas de alumínio.
A campanha “Uma latinha para casar” ganhou repercussão em perfis de moradores da cidade no Facebook. Amigos e conhecidos do casal, e até quem não os conhecia, passaram a juntar os materiais para o sonhado matrimônio de Bruno e Ana. A data provável do casamento deles é 8 de abril de 2017. Parece distante, mas quem conhece os preparativos de uma cerimônia sabe que há muitos detalhes.
À DeFato Online, nessa sexta-feira, 22 de abril, Bruno contou como a história teve início.
Pois bem, o namoro começou na escola. Os dois frequentam, há dois anos, o curso técnico de eletromecânica. E o coração bateu mais forte desde o primeiro dia de aula. “Eu cheguei primeiro na sala de aula e aí fui observando todos que entravam. Por fim, ela entrou. Eu a vi e pensei: é um bom partido!”, lembra Bruno, às risadas.
Mas a timidez os deixou distantes no início. Trocavam uma palavra ou duas, no máximo, até que veio uma perguntinha sobre uma dúvida da matéria aqui e ali, além dos encontros no mesmo ônibus que pegavam para casa. Finalmente, o bate-papo deslanchou. Falavam de tudo, da vida, da família, dos amigos. Era tanto assunto que não dava para esperar chegar o outro dia. Assim, era só entrarem em casa e continuavam a conversa pela Internet.
Entre os amigos, teve quem viu o romance no ar e fez as vezes de cupido. E foi o que encorajou Bruno a fazer o pedido. Ele pediu a Ana em namoro pela internet e depois botou fôlego no peito para reforçar pessoalmente e também encarar os pais da pretendida. Como são evangélicos da Assembleia de Deus, Bruno pediu à Ana que eles orassem e buscassem de Deus se a união poderia ser abençoada. Ao que tudo indica, Deus não discordou.
O namoro deles engatou e agora fazem contagem regressiva para juntarem as escovas de dentes. Bruno Henrique foi criado na zona rural de Morro das Almas, próximo ao distrito de Ipoema. Ana Cláudia cresceu em Itabira. Por mais um dedo do destino nessa história, eles são quase vizinhos em Itabira. Moram em ruas próximas no bairro Santa Ruth.
Já a ideia de recolher as latinhas e juntar dinheiro para o casamento surgiu porque eles sempre pegavam uma ou outra na volta para casa para ajudar a mãe de Ana. “Nos disseram que dava dinheiro e começamos a juntar para nós”, cita Bruno. Há poucas semanas, eles contaram a ideia aos amigos, parentes e à igreja onde frequentam. O apoio à iniciativa veio de imediato de todos que souberam dela. Ana e Bruno gravaram até um vídeo e postaram na internet. A publicação da campanha pela arrecadação do material se tornou um sucesso.
“Eu estou explodindo de felicidade, porque tudo começou com uma brincadeira e eu não esperava que ela tivesse a proporção que alcançou. Quanto à campanha, se cada um puder nos dar uma latinha, já nos ajuda. Não temos carro, nem outro veículo, mas damos um jeito de ir a pé ou de ônibus buscar a doação”, diz Bruno. Nessa sexta-feira, Ana Cláudia precisou viajar e ficou incomunicável na zona rural. Provavelmente em agosto os dois trocarão as alianças de noivado.
Para quem quiser ajudar os jovens na campanha, o contato pode ser feito por meio dos telefones (31) 9 9913-3565 ou 9 9286-6196.
Confira o vídeo do casal sobre a campanha