Privatização da Eletrobras é fato consolidado, mas pode ser judicializado, diz Alexandre Silveira
Ministro afirma que ninguém pode prever o resultado da judicialização
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse, em entrevista nesta segunda-feira (27), considerar que o modelo de privatização da Eletrobras não foi o mais justo e que o seu formato não atende ao mínimo de segurança estratégica. Silveira salientou que a nova natureza jurídica da empresa está consolidada, mas que o governo pode “judicializar” seu formato de alienação.
Para ele, “quem tem 40% das ações não pode ter somente um conselheiro em nove”, o que, em sua opinião, “não atende o mínimo de segurança estratégica ao povo brasileiro”.
Alexandre Silveira palestrou no Arko Conference 2023, organizado pela empresa de análise Arko Advice. Ele prosseguiu: “Posso afirmar, na minha visão, nos modelos de corporação que conheço, tanto no Brasil, quanto no mundo, que foi um modelo injusto. A nossa golden share (ação preferencial que é parte do governo após a privatização) é vergonhosa. É vergonhosa e não serve para absolutamente nada! Ela não dá nenhuma estabilidade e segurança a esse grande setor estratégico de energia”.
Apesar de discordar do modelo da privatização, Silveira admitiu que ela está consolidada, pois já passou pelo Congresso Nacional e virou lei. “Embora eu seja ministro de Minas e Energia, devo tratar a Eletrobras, mesmo com os senões, como uma empresa privatizada”.
E finalizou dizendo que, para ele, não é página virada: “o Governo pode questionar na Justiça o processo de privatização. As discussões podem acontecer. A judicialização, ou não, só depende do Governo e o resultado da judicialização ninguém pode prever!”. A Eletrobras detém cerca de 50% da transmissão da energia elétrica do país, e 36%, arpoximadamente, da geração nacional.
*Com informações da Agência Brasil




