Colunista da Folha de São Paulo questiona quantidade de estátuas de Drummond em Itabira
Estátuas de Drummond despertam polêmica: Itabira poderia reverenciar melhor seu filho ilustre?
O jornalista e escritor Ruy Castro, considerado um dos maiores biógrafos do Brasil, usou seu espaço no jornal Folha de São Paulo, neste sábado, 9 de abril, para falar sobre Itabira. Mais precisamente sobre a quantidade de estátuas de Carlos Drummond de Andrade no município. No texto intitulado “O poeta de pedra”, ele afirma que há exageros e que próprio poeta era avesso a pompas e homenagens.
Ruy Castro escreve que a coluna foi inspirada em provocações do jornal O Trem Itabirano. No periódico e nas redes sociais, o veículo de comunicação de Itabira reclama constantemente sobre a quantidade de estátuas e afirma que as obras do poeta ficam em segundo plano na cidade em que ele nasceu. Na concepção do jornal O Trem, CDA é “gigolado” em terras itabiranas.
O escritor Ruy Castro faz coro nas reclamações e compara a situação de Itabira com a do Rio de Janeiro. Ele cita que na capital fluminense, onde Drummond viveu por mais de 30 anos, há uma estátua do poeta, enquanto em sua cidade natal existem seis. “O Rio tem mais de 6 milhões de habitantes; Itabira, cerca de 110 mil. Por esta proporção, é como se o Rio tivesse 360 estátuas de Drummond. E olhe que, em vida, ele sempre manifestou sua desaprovação a bustos, estátuas, efígies, santinhos e homenagens de qualquer tipo. Nunca quis pertencer à Academia, levou décadas sem dar entrevistas e só abria a boca para dizer com licença e obrigado. Fui-lhe apresentado duas vezes e, em ambas, mal o ouvi tartamudear muito prazer”, escreve o colunista.
Ao fim do texto, o escritor faz uma relação das duas marcas principais da cidade: Drummond e o minério de ferro. “O filho mais ilustre de Itabira está sendo reduzido ao grande produto da região: o minério de ferro”.
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