Senador e deputada vão à Papuda e constatam desespero dos presos do dia 8 de janeiro
Izalci Lucas e Bia Kicis foram à penitenciária nesta segunda-feira
O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) estiveram no Complexo Penitenciária da Papuda na segunda-feira (10), em Brasília, visitando os manifestantes detidos desde o dia 8 de janeiro.
O senador Izalci, em conversa com os detidos, relata que muitos deles afirmam não terem participado dos atos de vandalismo praticados contra os prédios públicos naquela data.
“Vamos trabalhar no sentido de sensibilizar os colegas no Congresso Nacional para esses casos, que precisam ser investigados. Não é justo que fiquem presos por tanto tempo sem o direito de defesa. Queremos o devido processo legal. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) tem que ser instalada para investigar isso”, diz.
O senador espera que a instalação da comissão ocorra até o próximo dia 18. “Há um compromisso do presidente da Casa em fazer a leitura às 12h, quando da abertura do expediente do dia”.
Já a deputada Bia Kicis se disse sensibilizada e emocionada com a sitaução dos presos. “São 92 dias. Estão todos angustiados. Isso nos mobiliza ainda mais para que a justiça seja feita. Queremos a instalação da CPMI dos atos do dia 8. Vamos cobrar que os atos sejam individualizados para que cada um responda pelo que fez ou não, para que as pessoas inocentes sejam colocadas em liberdade”.
A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes do STF (Supremo Tribunal Federal). A decisão de Moraes atendeu a pedido dos congressistas, a caráter estritamente pessoal, sem que terceiros pudessem acompanhar.
Moraes é também o relator dos inquéritos que apuram os ataques às instituições federais e finalizou as anãlises da situação no dia 16 de março.
Aqueles que foram liberados puderam retornar aos Estados de origem e cumprem medidas cautelares, controlados por tornozeleira eletrônica.
Esse grupo estava acampado em frente ao quartel do Exército, em Brasília, protestando contra o resultado das eleições de outubro de 2022. À época, foram detidas 1.406 pessoas em 9 de janeiro por participação nos atos extremistas.
Levados a um ginásio da Polícia Federal, os presos, idosos, homens, mulheres e jovens, misturados, passaram por situações degradantes, como falta de água e de se alimentarem de comida azeda nas marmitas a eles distribuída, além de ausência de banheiros suficientes para suas necessidades de higiene e fisiológicas.
Permanecem detidos em regime fechado 181 homens e 82 mulheres. Depois dessa data, após investigações, outros 27 homens e quatro mulheres também foram presos, totalizando 294 reclusos até agora.




