A força da doação
Selmo Geber, professor do departamento de ginecologia e obstetrícia da UFMG e especialista em fertilidade da clínica Origen
Há mais de cem anos, utiliza-se sêmen de doador para engravidar. O primeiro registro de utilização dessa técnica foi na segunda metade do século XIX. Até a década de 1950, a única alternativa para se realizar esse procedimento era o uso de sêmen fresco, levando a riscos de transmissão de doenças infectocontagiosas.Um grande passo foi dado em 1953, quando a utilização de sêmen congelado tornou possível a criação de bancos de sêmen. Nesse período, a técnica passou a ser utilizada mais facilmente em todo o mundo.
O uso de sêmen doado é indicado, especialmente, para casais que desejam uma gravidez, mas o parceiro não tem espermatozoides, nem na ejaculação, nem nos testículos. Para identificar o problema, é necessária a realização de uma biopsia testicular.
Mulheres que não têm parceiro ou vivem relação homoafetiva e desejam engravidar, também têm na doação de sêmen uma solução. O uso de espermatozoides de doador pode ser feito com inseminação intrauterina, fertilização in vitro ou injeção intracitoplasmática de espermatozoides. A escolha do método depende das condições da paciente e é feita após avaliação prévia.
Não apenas doadores homens podem renovar as esperanças. Como as mulheres nascem com o número de óvulos que serão utilizados durante toda a vida, sem que haja renovação, com o passar dos anos, a quantidade diminui até que haja completo esgotamento, determinando o início do climatério, período que antecede a menopausa e vai além dela. Esse fenômeno é um dos grandes desafios da medicina reprodutiva e, logo, para vocês, mulheres.
Já existe alternativa também nesse caso, é possível utilizar o tratamento com fertilização in vitro com óvulos doados por outras mulheres. Nesse caso, o primeiro passo é a preparação do endométrio (camada que reveste internamente o útero) com uso de estrogênio. Na sequência, os óvulos doados são fertilizados in vitro com o sêmen do marido/companheiro e os embriões formados são transferidos para o útero. Antes de fazer a transferência, inicia-se o uso de progesterona. As taxas de gravidez, com essa técnica, são muito elevadas, pois a doadora dos óvulos é jovem.
Existem regulamentações da Anvisa em ambos os casos. O potencial doador, por exemplo, é avaliado por meio de entrevista, são consideras as condições físicas e mentais, além de doenças graves, genéticas e outras condições clínicas que contra indiquem a doação, conforme protocolos definidos pelo serviço. As doadoras devem ter até 35 anos e os homens, até 50.
Além disso, a doação deve ser anônima e sem caráter lucrativo ou comercial e deve-se respeitar a semelhança física entre a doadora e a receptora. A escolha dos doadores é de responsabilidade da unidade. Dentro do possível, deve-se garantir que doadores tenham maior semelhança fenotípica e imunológica e, ainda, a máxima possibilidade de compatibilidade com a receptora. As taxas de gravidez variam de acordo com técnica indicada para cada caso.