O jovem padre e a força da comunicação
Gláucio Santos
Jornalista, Especialista em Gestão de Pessoas, Mestre em Educação.
Pós-graduando em Gestão de Conteúdo em Comunicação
A saída do padre Ricardo Caricati da gestão da Paróquia Nossa Senhora de Fátima e da Matriz de São José Operário, em João Monlevade, não é uma surpresa, mesmo parecendo ser tão precoce. Entre outras questões, sabe-se que é política da Igreja Católica não deixar o sacerdote por muito tempo em uma mesma cidade (ou paróquia), com algumas raras exceções.
Se voltarmos no tempo, há cerca de quatro anos, ele assumiu o desafio de administrar estas duas comunidades depois da avalanche causada por outro religioso que não seria exatamente ordenado para o ministério. Pode-se dizer que em muitos aspectos parece ter conseguido resultados positivos: formação contínua de fiéis, diálogo com o público, utilização das mídias, distanciamento do discurso político-partidário, amplos momentos de oração e reforma de templos.
Pelo menos dois fatores podem tê-lo influenciado: a Pastoral da Comunicação (Pascom) e a Renovação Carismática Católica (RCC). Por meio da Pascom, ainda seminarista, se pós a visitar cidades apresentando a proposta da Pastoral. Compreendeu rapidamente a importância e o poder da comunicação em suas diversas formas. Estudioso dessa área, Philip Lesly, diz que a organização precisa saber o que acontece entre os grupos (interno e externo) que a influenciam para poder atingir de modo objetivo os diversos públicos com os quais lida.
Quanto a RCC, onde bebeu da formação como os midiáticos Marcelo Rossi, Fábio de Melo e Reginaldo Manzotti, nunca foi a menina dos olhos da Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano. Não é particularidade regional, mas os encontros de cura e libertação, momentos dançantes, e missas animadas com bandas são vistos como extravagantes. Embora não esteja ligado a RCC, a associação é inevitável pela aproximação. Desta forma, talvez fique mais claro compreender o campo de diálogo do sacerdote e o quanto ele se distancia do perfil organizacional da Diocese e de alguns exemplos enraizados entre Itabira e Coronel Fabriciano.
Teria a transferência para Rio Piracicaba motivações mais amplas? Fica a reflexão! Cabe dizer, de forma geral, que a alternância é um processo pelo qual parte dos fiéis parece não saber lidar. Afinal, ninguém quer a mudança do jogador que está fazendo gols. Enquanto lhe derem vez e voz, na cidade polo ou não, falará a “multidões”. E inevitavelmente, ainda que por terceiros, continuarão os compartilhamentos sobre a atuação pastoral, seja na internet, nos impressos, nos vídeos, nas fotografias, nos flyers, ou nos simples boca a boca.
Em meio a tantas possibilidades de experiências espirituais no mundo contemporâneo, muitos esperam encontrar o acolhimento e o diálogo nas religiões. Mas parece que poucos se arriscam em fazer a diferença. E talvez seja essa a receita do sucesso. Quanto a mudança de cidade, talvez seja uma perda. Mas há quem ganhe! Prefiro pensar nos frutos que quase sempre surgem depois de uma grande poda na videira.
Gláucio Santos
Jornalista, Especialista em Gestão de Pessoas, Mestre em Educação.
Pós-graduando em Gestão de Conteúdo em Comunicação