Paulo Teixeira defende que Conab permaneça no Ministério do Desenvolvimento Agrário
As declarações do ministro aconteceram durante visita à Feira Nacional da Reforma Agrária, no último sábado
O ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Paulo Teixeira, defendeu a permanência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no escopo do seu ministério. O posicionamento acontece depois de recentes investidas da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), que reúne 300 congressistas, que pedem a ida da Conab para o Ministério da Agricultura e Pecuária — uma iniciativa que conta com o apoio do responsável pela pasta, o ministro Carlos Fávaro.
As declarações de Paulo Teixeira aconteceram durante visita à Feira Nacional da Reforma Agrária, realizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no última sábado (13), em São Paulo. A participação do ministro no evento é uma demonstração de apoio do governo federal ao movimento, além de ser uma resposta ao Agrishow, realizado em Campinas, também em São Paulo — onde a administração Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não compareceu diante da confirmação da participação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em seu discurso, Paulo Teixeira disse: “a Conab trabalha com o agricultor familiar. Qual o programa mais forte da Conab hoje? O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que deve ser feito junto ao pequeno agricultor. É um trabalho artesanal, diagnosticando a situação do agricultor, que se relaciona com outros órgãos e políticas públicas. Isso não é vocação do Ministério da Agricultura, sua grande vocação é a ‘cultura de escala’. Portanto, a Conab deve ficar no MDA”.
“Quem está tentando tirar a Conab do MDA são os perdedores, os bolsonaristas. Não podemos permitir que quem perdeu a eleição faça uma loucura dessa. Eles estão bem. Por que não deixar o agricultor familiar crescer e produzir”, completou Paulo Teixeira.
O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento, Edegar Pretto, também defende a tese do ministro Paulo Teixeira. “O presidente Lula decidiu que a Conab estará sob o guarda-chuva do MDA, que está sendo recriado. A Conab não deixará de prestar os trabalhos que sempre fez para o agro, que vão muito bem. Semana passada fizemos o anúncio de mais uma supersafra, quando vamos colher 312 milhões de toneladas de grãos, o que é muito bom para o nosso País. Por outro lado, será a menor safra de arroz dos últimos 23 anos e a menor lavoura plantada de feijão desde 1988”.
Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST afirma que “a manutenção da Conab no MDA é um desejo do MST, que foi levado a Lula logo após a eleição. Defendemos esse posicionamento porque ela [Conab] cumpre um papel estratégico que foi definido como prioridade pelo presidente Lula, que é o ‘Combate à fome'”.
Em contrapartida, a Frente Parlamentar do Agronegócio é favorável a ida do Conab para o Ministério da Agricultura e Pecuária. A iniciativa tem apoio do chefe da pasta, o ministro Carlos Fávaro, que alegou: “não faz sentido o Ministério da Agricultura não ter vínculo direto com a Conab. Aí sim, é o ponto que venho dizendo: não existe política agrícola sem vínculo com a Conab. Esse é um ponto que precisa ser corrigido, porque senão não conseguimos apoiar a comercialização de produtos que estão abaixo do preço mínimo”.




