Encontro do G7 vai debater invasão da Rússia à Ucrânia
Tema preocupa o Brasil que vai manter neutralidade
A cúpula do G7 se reúne a partir desta sexta-feira (19) até o próximo dia 21, em Hiroshima, no Japão. O encontro agrega algumas das maiores economias do mundo e terá entre seus debates a invasão da Ucrânia pela Rússia. Um informativo que lista as questões a serem abordadas na reunião indica que a ação abalou os alicerces da ordem internacional e que o grupo respondeu unido contra a invasão e manterá fortes sanções contra a Rússia, em apoio à Ucrânia.
Eis a nota divulgada pelo G7:
“Demonstramos a forte determinação do G7 em defender a ordem internacional baseada no estado de direito, rejeitando firmemente qualquer tentativa de mudar o status quo pela força ou ameaça de uso de armas nucleares, como a Rússia tem feito, ou o mesmo uso de armas nucleares”.
O texto reforça a ruptura entre o grupo e a Rússia, que vem desde 2014, quando o país foi suspenso indefinidamente, após os países membros repudiarem a anexação da Crimeia por Putin.
Após essa ação pela Rússia, o grupo, além de afastar o Kremlin, também estabeleceu sanções ao país. Essa invasão foi a primeira violação de um país a a outro desde o final da Segunda Guerra Mundial.
Agora, na atual invasão, com o avanço russo em todo o território ucraniano, os países do G7, do qual a Rússia já fez parte (antigo G8), adotaram sanções mais duras e tomaram posições mais irredutíveis contra o Kremlin.
Alguns países europeus ainda tentaram manter relações comerciais e diplomáticas com a Rússia, dependentes que são do gás daquele país, mas, desde então, as relações se deterioraram por completo, com acusações mútuas e retirada de embaixadores.
Embora outros tópicos certamente serão abordados, como alimentos e clima, além de resiliência e segurança econômica, todos deverão ter como centro os efeitos do conflito.
Amâncio Jorge de Oliveira, professor titular do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP), acredita em efeitos colaterais do movimento do G7 e indica a possibilidade de que possa afetar o “equilíbrio do poder mundial” com a aproximação da Rússia com a China.
O embaixador Maurício Carvalho Lyrio, secretário de assuntos econômicos e financeiros do Itamaraty, acredita que o Brasil deve assinar uma declaração sobre segurança alimentar na cúpula, que mencionará os efeito da guerra para as cadeias de suprimento.
Embora o Brasil não faça parte do G7, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é um convidado do encontro.
Lyrio acredita também que o presidente Lula comentará a proposta de mediação da paz, ou seja, a necessidade de se pensar a paz para superação do conflito.
O professor Vinicius Rodrigues Vieira, do curso de Relações Internacionais do Centro Universitário FAAP, indica que o Brasil, a Índia e Indonésia, diferentemente dos membros do G7, não devem assinar declarações muito duras em relação à Rússia, já que tendem a ficar neutros em relação ao conflito no Leste Europeu.




