Itabira não tem casos de zika, mas período pós-Carnaval requer atenção redobrada
Itabira não apresenta nenhuma caso ou suspeita de zika vírus, mas já confirmou nove casos de dengue neste ano

Itabira não possui nenhum caso suspeito do vírus zika. A informação é da diretora da vigilância epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Lumênia Duarte. Em contato com a reportagem de DeFato Online, ela falou dos cuidados que devem ser praticados para combater o mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, e também do estado de atenção adotado para verificação de pessoas que manifestem os sintomas.
O cuidado é redobrado nesse período pós-Carnaval. Muitos itabiranos foram para locais em que há epidemia do zika, como estados do Nordeste e Rio de Janeiro. Além disso, outros foliões foram para lugares com grande aglomeração de pessoas, onde se junta gente de todo país, como Belo Horizonte ou cidades do interior de Minas Gerais. Sem falar em visitantes de outros estados que possam ter passado por Itabira.
Por causa disso, a Secretaria Municipal de Saúde alerta para os principais sintomas da doença, como febre, coceira, manchas avermelhadas, dor no corpo e dor de cabeça. Vale ressaltar que os sinais são bem parecidos com os da dengue e os da febre chikungunya. Todas as três doenças são transmitidas pelo Aedes aegypti e a pessoa que desconfiar estar com alguma delas deve procurar imediatamente uma unidade saúde e ingerir bastante líquido.
Assim como a zika, Itabira também não tem casos suspeitos de chikungunya. A dengue, porém, continua sendo registrada no município. Segundo Lumênia, entre janeiro de 2016 e esta sexta-feira, 12 de fevereiro, foram 107 casos suspeitos da doença na cidade, sendo que nove deles foram confirmados.
A única forma de evitar as três doenças é com o combate do mosquito, através da eliminação dos criadouros do mosquito nas casas, no trabalho e nas áreas públicas. “É uma tarefa de todos. Temos que evitar o acúmulo de água e lixo. Todos devem ter esses cuidados básicos para que a proliferação seja evitada”, recomenda a diretora.
João Monlevade
Se em Itabira a situação ainda está tranquila, em João Monlevade são quatro casos suspeitos do vírus zika, segundo noticiou o Jornal A Notícia. A publicação traz falas da secretária de Saúde, Andréa Peixoto, que demonstrou preocupação. “Estamos atentos e preocupados. O perigo é saber que o zika vírus pode estar em Monlevade e que pode infectar as gestantes e causar microcefalia nos bebês. Vamos trabalhar atentos para isso”, afirmou.
De acordo com a reportagem, nos últimos dias, quatro pacientes, que não são gestantes, deram entrada no Hospital Margarida com os mesmos sintomas da doença. O sangue delas foi coletado e enviado para a Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, órgão responsável pela coleta e realização de exames de sangue em todo o Estado. O resultado deverá sair em duas semanas.
Dia de Mobilização
Neste sábado, 13 de fereiro, o governo federal promove o Dia Nacional de Mobilização para o Combate ao Aedes aegypti. A ideia é mobilizar famílias no combate ao mosquito transmissor do zika, que também é vetor da dengue e da chikungunya. Três milhões de famílias deverão ser visitadas em suas casas, em 350 municípios. Segundo a diretora Lumênia Duarte, o Dia de Mobilização é obrigatório apenas para as cidades que possuem números elevados das doenças, o que não é o caso de Itabira.

Veja o que já se sabe sobre o zika virús no Brasil:
Como ocorre a transmissão?
Assim como os vírus da dengue e do chikungunya, o vírus da zika também é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.
Quais são os sintomas?
Os principais sintomas da doença provocada pelo vírus da zika são febre intermitente, erupções na pele, coceira e dor muscular. A evolução da doença costuma ser benigna e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente em um período de 3 até 7 dias. O quadro de zika é muito menos agressivo que o da dengue, por exemplo.
Como é o tratamento?
Não há vacina nem tratamento específico para a doença. Segundo informações do Ministério da Saúde, os casos devem ser tratados com o uso de paracetamol ou dipirona para controle da febre e da dor. Assim como na dengue, o uso de ácido acetilsalicílico (aspirina) deve ser evitado por causa do risco aumentado de hemorragias.
Qual é a relação entre o vírus da zika e a microcefalia?
A relação entre zika e microcefalia foi confirmada pela primeira vez no mundo no fim de novembro pelo Ministério da Saúde brasileiro. A investigação ocorreu depois da constatação de um número muito elevado de casos em regiões que também tinham sido acometidas por casos de zika.
Como a situação é muito recente, ainda não se sabe como o vírus atua no organismo humano, quais mecanismos levam à microcefalia e qual o período de maior vulnerabilidade para a gestante. Segundo o Ministério da Saúde, as investigações sobre o tema devem continuar para esclarecer essas questões.A evidência crucial para determinar essa ligação foi um teste feito no Instituto Evandro Chagas, órgão vinculado ao Ministério da Saúde no Pará, que detectou a presença do vírus da zika em amostras de sangue coletadas de um bebê que nasceu com microcefalia no Ceará e acabou morrendo.
Quais são as recomendações para mulheres grávidas?
O Ministério da Saúde orienta algumas medidas para mulheres grávidas ou com possibilidade de engravidar tendo em vista a ocorrência de casos de microcefalia relacionados ao vírus da zika. Uma delas é a proteção contra picadas de insetos: evitar horários e lugares com presença de mosquitos, usar roupas que protejam a maior parte do corpo, usar repelentes e permanecer em locais com barreiras para entrada de insetos como telas de proteção ou mosquiteiros.
É importante informar o médico sobre qualquer alteração em seu estado de saúde, principalmente no período até o quarto mês de gestação. Um bom acompanhamento pré-natal é essencial e também pode ajudar a diminuir o risco de microcefalia.
Há risco de microcefalia se a mulher engravidar depois de se curar da zika?
Segundo o médico Érico Arruda, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, o que se conhece sobre a relação entre o vírus da zika e a microcefalia é insuficiente para determinar se há risco de engravidar logo depois de se curar de uma infecção pelo vírus da zika. “O que se pode dizer, baseado em contextos gerais, é que parece que a viremia do vírus da zika é curta, ou seja, a pessoa infectada fica pouco tempo com o vírus circulando na corrente sanguínea.” Caso isso seja confirmado, é possível que não haja risco de gravidez logo após o fim da infecção, porém ainda é cedo para ter certeza.
Como é feito o diagnóstico da zika?
Ainda não há um teste padrão para diagnosticar a doença. “Como o zika é novo, não temos uma padronização nos testes. Para se ter certeza do diagnóstico, é preciso usar a técnica de PCR, que é complexa e não está disponível no mercado”, diz Rodrigo Stabeli, vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No Brasil, somente três unidades da Fiocruz, além do Instituto Evandro Chagas, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, têm a capacidade de fazer esse exame.
Quais são as medidas de prevenção conhecidas?
Como o vírus da zika é transmitido pelo Aedes aegypti, mesmo mosquito que transmite a dengue e o chikungunya, a prevenção segue as mesmas regras aplicadas a essas doenças. Evitar a água parada, que os mosquitos usam para se reproduzir, é a principal medida. Verificar vasos, garrafas, pneus e outros objetos que possam acumular líquido. Colocar telas de proteção nas janelas e instalar mosquiteiros na cama também são medidas preventivas. Vale também usar repelentes e escolher roupas que diminuam a exposição da pele. Em caso da detecção de focos de mosquito que o morador não possa eliminar, é importante acionar a Secretaria Municipal de Saúde do município.
Qual é a diferença entre dengue, chikungunya e zika?
Os vírus da dengue, chikungunya e zika são transmitidos pelo mesmo vetor, o Aedes aegypti, e levam a sintomas parecidos, como febre e dores musculares. Zika e dengue são do gênero Flavivirus, já o chikunguna é do gênero Alphavirus.
As doenças têm gravidades diferentes. A dengue, que pode ser provocada por quatro sorotipos diferentes do vírus, é caracterizada por febre repentina, dores musculares, falta de ar e moleza. A forma mais grave da doença é caracterizada por hemorragias e pode levar à morte.Qual é a diferença entre dengue, chikungunya e zika?
O chikungunya caracteriza-se principalmente pelas intensas dores nas articulações. Os sintomas duram entre 10 e 15 dias, mas as dores articulares podem permanecer por meses e até anos. Complicações sérias e morte são muito raras.
Já a febre pelo vírus da zika leva a sintomas que se limitam a no máximo 7 dias. Apesar de os sintomas serem mais leves do que os de dengue e chikungunya, a relação do vírus com a microcefalia e a possível ligação com a síndrome de Guillain-Barré têm trazido preocupação.