Bebê é enterrado sem autorização da família, sem roupa e em caixa de papelão
O bebê João Miguel foi enterrado – agora com autorização da família – nesta quinta-feira, 4 de fevereiro, no Cemitério da Paz em Itabira
O jovem itabirano Wallefy Felipe Ferreira, 20 anos, passou por momentos inimagináveis nesses últimos dias. No dia 31 de janeiro, descobriu que seu filho, que estava prestes a nascer, estava morto na barriga da mãe. Para piorar a tristeza, nesta quinta-feira, 4 de fevereiro, ao providenciar a documentação necessária para a certidão de óbito do neném, o rapaz descobriu que o bebê foi enterrado sem autorização da família, sem roupas e em uma caixa de papelão.
O ocorrido causou revolta em Wallefy e sua família, que não esperavam passar por tantos transtornos. Segundo o jovem, ele descobriu por acaso que o filho foi levado para ser enterrado no Cemitério da Paz, em Itabira. “Eu estava no cartório, mas faltou uma documentação que estava no hospital. Eu liguei para o hospital pedindo o documento, mas um funcionário me avisou que a funerária passou lá, levou a criança e que já tinha ocorrido o enterro”, contou.
De imediato, Wallefy contatou a funerária, que providenciou o desenterro do bebê. “Eu falei para a funerária que eles deveriam fazer tudo documentado, não boca a boca. Não existe isso de enterrar alguém sem certidão de óbito e sem autorização da família. Eu acho que eles deveriam ter o mínimo de responsabilidade e ligar para a família avisando”, disse o jovem, que já tinha separado a roupinha para enterrar o filho. “Todo ser humano merece ser enterrado com dignidade”, desabafa.
Após tantos aborrecimentos, o enterro da criança foi realizado nesta quinta-feira, no Cemitério da Paz, desta vez com a presença da família. Wallefy realizou um boletim de ocorrência e pretende entrar com uma ação judicial contra a funerária. “Eles me pediram desculpas, mas isso não vai apagar tudo o que eu passei. Foi uma ligação atrás da outra para saber onde estava meu filho, se eu não tivesse corrido atrás, eu nunca saberia em qual cova ele foi enterrado”, contou.
Angústia
A namorada de Wallefy, Patrícia Aparecida Aguiar, 19, está internada no Hospital Nossa Senhora das Dores. “Ela entrou em estado de choque quando viu o filho morto. Ela ainda não sabe de nada que ocorreu depois”, conta o pai.
Nos últimos meses de gravidez, Patrícia foi diagnosticada que teria parto de risco. João Miguel, que já tinha um quarto montado e diversas roupinhas, nasceria com oito meses e três semanas de gestação. “Já estava tudo preparado, só faltava ele chegar ao mundo”, lamentou o jovem.
Funerária
Procurado por Defato Online, funcionários da funerária informaram que a empresa seguiu o procedimento padrão, que Wallefy e seus familiares autorizaram o sepultamento da criança e que em nenhum momento quiseram causar dor ou problemas para a família.
A reportagem também entrou em contato com a administração do Cemitério da Paz, que preferiu não se pronunciar.