Itabira perde R$ 8 milhões que seriam usados na construção de uma central de resíduos

Damon (na foto, em visita á área do no novo distrito) disse que atraso na entrega do projeto se deve a vários fatores

Itabira perde R$ 8 milhões que seriam usados na construção de uma central de resíduos
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Devido a um atraso na entrega de projeto, a Prefeitura de Itabira perdeu a verba de R$ 8 milhões para a construção de um Centro de Triagem de Resíduos Sólidos Urbanos e de um Centro de Tratamento de Resíduos da Construção Civil.
 
A obra seria feita no novo distrito industrial de Itabira, na Fazenda Palestina, próximo ao bairro Pedreira. O centro de resíduos, de responsabilidade da Itaurb, substituiria o problemático galpão de triagem do bairro Bela Vista e teria potencial para se tornar regional.
 
O prefeito Damon Lázaro de Sena disse que recebeu a má notícia por telefone. Quem ligou foi o gerente geral da Vale em Itabira, Fernando Carneiro, dizendo que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) havia suspendido a verba.
 
O dinheiro seria repassado ao município por meio de um convênio com a Vale, que também doou à Prefeitura o terreno de mais de 290 hectares para o distrito industrial. Os R$ 8 milhões são uma espécie de contrapartida social que a empresa precisa fazer frente aos recursos liberados pelo BNDES para as obras nas usinas de beneficiamento do itabirito duro.
 
Por que atrasou
De acordo Damon, uma somatória de fatores resultou no atraso da entrega do projeto da central de resíduos. O primeiro entrave foi a definição do terreno para o distrito industrial, onde a central seria construída. A Vale doou a área, mas o terreno tinha vínculo com a Florestas Rio Doce, empresa que praticamente nem existe mais. Encontrar dois diretores da empresa para assinar os papeis foi tarefa árdua.
 
A doação precisou passar ainda pelo crivo do Conselho de Administração da Vale, o que demandou mais tempo. E depois emperrou na Câmara. Com dúvidas a respeito de alguns itens do contrato, os vereadores travaram a matéria por diversas sessões e só aprovaram a transferência da área após explicações do gerente da Vale.
 
Damon atribuiu parte da culpa também ao vice-prefeito e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Reginaldo Calixto. “Na realidade, o projeto teve atraso também porque o meu vice prefeito, que era secretário de Desenvolvimento Econômico, não andou com o processo na época que estava acontecendo as conversações. Reginaldo, quando estava lá na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, tinha de ter andado com esse projeto. Ele não andou com o projeto”, afirmou Damon.
 
E agora?
O prefeito disse que vai tentar reaver o dinheiro por meio de contatos políticos em Brasília, como o deputado federal Reginaldo Lopes. No final do ano passado, ele mandou mensagens de WhatsApp para Henrique Paim, diretor do BNDES, e para um assessor do banco. Ainda aguarda resposta. Se o dinheiro não for para o centro de resíduos da Itaurb, deverá ser aplicado em outro projeto, até mesmo na região, para compensar os impactos dos projetos da Vale.
 
Enquanto não consegue reverter a situação – Damon está disposto a ir à sede do banco para pressionar –, a ordem foi suspender o andamento do projeto da central, que deve custar entre R$ 700 mil e R$ 800 mil. “Não posso ficar gastando dinheiro naquilo que não se pode construir”, afirmou o chefe do Executivo, referindo-se a uma eventual perda definitiva dos R$ 8 milhões.