Bolsonaro tem semana decisiva no TSE e pode se tornar inelegível

Bolsonaro se mostrou preocupado com a possibilidade de que “os resultados da audiência possam não ser bons”

Bolsonaro tem semana decisiva no TSE e pode se tornar inelegível
Foto: Reprodução

Semana decisiva para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando seus direitos políticos podem ser cassados, tornando-o inelegível por oito anos. A decisão vai ocorrer na audiência da Corte na próxima quinta-feira (22).

Bolsonaro anda pressionado pelos desdobramentos dos casos criminais nos quais ele e alguns de seus ex-auxiliares diretos são alvos de investigação. Além do desgaste causado por uma fake news divulgada por ele sobre vacinas, o que o levou a uma “retratação” nesse final de semana.

A situação se complicou depois de serem revelados os conteúdos do celular do seu ex-ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid, com um roteiro de um possível golpe em função do resultado eleitoral de 2022.

Preocupação

No último sábado (17), um grupo político tentou tornar um encontro com Bolsonaro em uma agenda positiva. Porém, por causa de uma fake news propagada pelo ex-presidente, que mais uma vez negou a eficiência da vacinação, esses esforços se tornaram ineficientes.

Nesse evento, Bolsonaro revelou sua preocupação com a possibilidade de que “os resultados da audiência possam não ser bons”.

Um dos pontos mais preocupantes contra o ex-presidente foi a reunião entre ele e embaixadores convidados ao Palácio da Alvorada, em julho de 2022, quando o ex-presidente da República apresentou divergências quanto à segurança das urnas eletrônicas, lançando dúvidas quanto à legalidade das eleições.

Investigação

O delegado da Polícia Federal (PF), Fábio Shor, ao enviar seu relatório ao ministro do STF Alexandre de Moraes, relatou sua linha de raciocínio: “O modus operandi no mundo virtual, nas redes sociais dos investigados e os documentos e mensagens encontrados com Cid, revelaram o processo de materialização no mundo real da associação criminal investigada”.

Essa suposição inclui, além de Bolsonaro, Mauro Cid, Anderson Torres e possivelmente alguns de seus ministros militares, como Luiz Eduardo Ramos e Augusto Heleno. “A milícia digital reverberou e amplificou por multicanais a ideia de que as eleições presidenciais foram fraudadas, estimulando que seus seguidores resistissem à frente dos quarteis e instalações das Forças Armadas, no intuito de criar ambiente propício para uma intervenção federal”, avaliou Fábio Shor.

Na articulação da audiência eleitoral, Moraes garantiu na composição do TSE ministros mais alinhados à sua tese.