Prefeita de Morro do Pilar diz que processo de cassação é perseguição política
Vilma diz que acionou a Justiça contra a comissão processante da Câmara
Em entrevista a DeFato nessa terça-feira, 29 de dezembro, a prefeita de Morro do Pilar, Vilma Diniz, disse que o processo de cassação que enfrenta na Câmara Municipal é meramente político e não tem fundamento. “Virou moda bater na prefeita”, comentou ela, ao afirmar que não há fraude em licitação de nenhuma obra de terraplanagem, como dizem os vereadores. “A obra está lá para todo mundo ver”.
Vilma reconhece que sua administração está mal avaliada perante o eleitorado, mas afirma que a situação de Morro do Pilar não é tão ruim como a oposição tem alardeado. Ela disse que o problema todo se resume em um só: falta de dinheiro. “Assumi a Prefeitura cheia de sonhos, cheia de expectativas. Fiz um planejamento para a cidade que estava despontando com esse viés minerário. Hoje tem projeto para tudo. Mas tivemos vários entraves para conseguir, por exemplo, a Licença Prévia do empreendimento”, comenta a prefeita. O empreendimento ao qual se referia é o projeto da Manabi, que faria no município um dos maiores investimentos privados do Estado.
“A história de cassação para mim é questão política. Em crise todo mundo quer arrumar um culpado e eles [vereadores] precisam ficar na mídia”, afirmou Vilma. “Quando não tem dinheiro é assim mesmo”, declarou.
A chefe do Executivo diz que, com a crise macroeconômica, a Manabi desmobilizou as equipes e o badalado convênio de R$ 48 milhões firmado entre a mineradora e a Prefeitura foi comprometido. Confiante nesse dinheiro que nem tinha sido repassado ainda, a prefeita comprou terrenos, contratou consultorias e fez muitas promessas de melhorias. Só que dos R$ 48 milhões, apenas R$ 6 milhões chegaram aos cofres públicos, segundo ela. E pior: a nova gestão da mineradora não estaria de acordo com o convênio.
Liminar
A prefeita reconhece que, devido a várias dificuldades pelas quais passou, entre elas a perda do marido, a articulação política com a Câmara ficou a desejar. Ela tinha todos os vereadores a seu favor; hoje todos são contra. Diante da iminente cassação, Vilma não teve outra opção a não ser apelar para a Justiça. Tão logo o jornal DeFato publicou uma matéria sobre o processo de impeachment, ela entrou com uma liminar interrompendo os trabalhos da comissão processante do Legislativo.
Reeleição
Apesar das dificuldades política e econômica, Vilma afirma que não se arrepende de ter entrado para a política e fala até em reeleição. “Isso é um momento que ainda tem de ser avaliado. Eu, pessoalmente, não vou dizer se tenho vontade ou não. Sinto-me na obrigação de ouvir o meu grupo, mas hoje sou candidata natural à reeleição”, afirmou. (Leia mais na próxima edição do jornal DeFato)