Doação de terreno para Distrito Industrial segue travado na Câmara de Vereadores

Reunião de comissões, novamente, não liberou doação de terreno para votação

Doação de terreno para Distrito Industrial segue travado na Câmara de Vereadores

O projeto de lei que autoriza o município a receber uma área da Vale para a construção de um terceiro distrito industrial continua travado na Câmara de Vereadores. Nessa quinta-feira, 17 de dezembro, a matéria sequer foi para a sala de reunião para ser discutida pelas comissões temáticas da Casa. Apesar disso, a doação foi tema de conversa entre os legisladores. Alguns deles subiram o tom e reclamaram de inércia da prefeitura para solucionar as questões polêmicas do acordo firmado com a mineradora.

O tema central da conversa entre os parlamentares foi a entrevista do presidente da Itaurb, Geraldo Martins da Costa, o Lado (PMBD), ao Diário de Itabira. Na matéria, o ex-vereador afirma que o projeto tem que ser votado até o fim deste ano, por causa de uma verba de R$ 8 milhões que será destinada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a construção de uma usina de resíduos sólidos no novo distrito. Para que o repasse aconteça, é preciso que o terreno já esteja em propriedade do município.

Na interpretação dos vereadores, o presidente da Itaurb quis pressioná-los. “Não adianta fazer isso. Há duas semanas que não vem ninguém da prefeitura aqui (na Câmara) tentar liberar o projeto. O próprio líder de governo (Rodrigo Diguerê) já afirmou que não concorda com a votação da maneira que o projeto está”, disse Ilton Magalhães (PR). “Sinceramente, do jeito que está, acho que é melhor perder essa verba do que aprovar o projeto dessa maneira”, completou Bernardo Mucida (PSB). Tãozinho Leita (PP) também reclamou das falas de Lado.

O principal entrave é uma cláusula do contrato que estabelece que a prefeitura precisa de anuência da Vale cada vez que escolher uma empresa para receber área no novo distrito. Os vereadores entendem que se o terreno está sendo doado para o município, não há qualquer necessidade de “pedir benção” à mineradora. Outro problema está relacionado à questão ambiental. O mesmo contrato pontua que a prefeitura herdaria todo passivo ambiental da área, independente se aconteceu antes da assinatura da doação. A maioria dos vereadores não quer votar a matéria antes de confirmar se há algum tipo de passivo no terreno.  

Toninho da Pedreira (Pros), cotado para assumir a liderança de governo no ano que vem, mostrou-se impaciente com a falta de resolução dos impasses. Ele afirmou que “irá se movimentar para resolver os problemas”. A intenção é promover uma reunião entre a prefeitura e a Vale. O vereador até deixou a reunião de comissões mais cedo para “fazer alguns contatos”. O atual líder de governo, Rodrigo Diguerê (PV), não participou da reunião por causa de compromissos fora da cidade.

Apesar das críticas, mesmo os vereadores insatisfeitos e da oposição disseram que o projeto é importante para o município. Eles não descartam realizar reuniões extraordinárias para votar a matéria, já que o calendário de 2015 se encerra na próxima terça-feira, 22 de dezembro. Mas só se os entraves forem resolvidos.