Ilton admite insatisfação com o governo, mas nega ter travado orçamento por “picuinha”

Ilton Magalhães perdeu a disputa para a presidência da Câmara de Vereadores e reclama de interferência do governo municipal

Ilton admite insatisfação com o governo, mas nega ter travado orçamento por “picuinha”

O vereador Ilton Magalhães (PR) negou que tenha tirado a Lei Orçamentária Anual (LOA) de pauta na reunião ordinária da semana passada por causa de insatisfação política. Derrotado nas eleições da Câmara de Itabira, ele acusa o governo de ter interferido no resultado. Porém, segundo ele, mesmo magoado, não usaria um projeto importante como é o do orçamento para praticar “picuinhas”.

Ilton argumenta que tirou o projeto de pauta por modificações feitas pela própria prefeitura. De acordo com o republicano, o governo, a princípio, havia projetado arrecadar com taxa sobre recolhimento de lixo no ano que vem. Depois, decidiu voltar atrás e enviou páginas corrigidas à Câmara depois que a LOA já havia sido liberada para votação. As modificações foram explicadas pelo secretário municipal de Planejamento, Paulo Alexandre, em reunião com o vereador na sede do Legislativo.

O projeto agora está liberado para ser votado na próxima reunião ordinária, que acontece na quarta-feira, 9 de dezembro. “A prefeitura havia enviado a LOA para Câmara, nós estudamos o projeto todo, mas, quatro dias antes votação, eles mandaram alguns documentos para serem alterados. Não tinha como votar o orçamento sem a gente ter conhecimento do que era, uma vez que houve troca de quase 15 folhas. Tirei de pauta com essa visão, chamei o secretário de Planejamento e ele nos mostrou folha por folha o que estava sendo alterado. Agora, após a alteração, imediatamente nós autorizamos que o processo volte a correr normalmente”, disse Ilton Magalhães.

O vereador não escondeu que está descontente com o governo municipal. Desde o início da atual administração, apesar de se dizer “independente”, Ilton tem se mostrado parceiro do prefeito Damon Lázaro de Sena (PV). Por isso mesmo, se surpreendeu com a reviravolta na eleição para presidência da Câmara. Rodrigo Diguerê (PV) acabou sendo o escolhido pela maioria dos colegas em um resultado apertado (9 a 8).  “Se eu falar que estou satisfeito com o governo, é óbvio que não. Houve uma interferência no processo da Mesa Diretora da Câmara. São poderes independentes. São harmônicos, mas a independência está aí para ser respeitada”, reclamou.

Mesmo desapontado, o republicano garante que não será movido pela mágoa ao votar projetos do governo. “De forma alguma. Ouvi essa conversa nas ruas, até por parte de secretário. Teve um secretário do governo, que eu me reservo de dizer o nome, que disse que eu estava ferido com a questão da eleição e que por isso eu tirei o orçamento para vistas. Ele tinha que ter conhecimento para saber que o secretário de Planejamento esteve aqui na Câmara e alterou o orçamento. As pessoas têm que entender o que está acontecendo para depois sair por aí falando as coisas”, afirmou.

“Eu sou vereador e tenho que fiscalizar os processos mesmo, é natural. Agora, falar que vereador está sentido e travando projeto na Câmara, não tem nada disso. O processo da Câmara tem que andar independente de situação ou oposição. Estamos aqui para analisar projetos. E como relator de uma comissão de suma importância (Finanças), eu jamais iria deixar de colocar um projeto na pauta por picuinha política”, finalizou Ilton.