Ação da Polícia Federal fragiliza ministro no governo Lula

Em uma reunião com todo o seu ministério, em 6 de janeiro, Lula foi enfático em dizer que “quem fizer errado deixará o governo”

Ação da Polícia Federal fragiliza ministro no governo Lula
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Embora ainda não se saiba a extensão das apurações, a situação do ministro Juscelino Filho (União Brasil-MA), à frente do Ministério das Comunicações é delicada, segundo integrantes do governo Lula e do Congresso. A atuação da Polícia Federal (PF) ocorreu na sexta-feira (01/09) e a investigação visa obras da construtora Construservice, contratada da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codesvaf), e bancadas com verbas de emendas parlamentares de Juscelino Filho. Embora tenha solicitado autorização para buscas contra Juscelino, o ministro Luís Roberto Barroso (STF) negou a solicitação.

No entanto, Barroso determinou o bloqueio dos bens do ministro de Lula e de outros dez supostos integrantes da trama, no valor individual de R$ 835,8 mil, valor correspondente ao prejuízo causado pela suposta irregularidade. Embora auxiliares palacianos admitam que a situação de Juscelino é delicada, acreditam eles que não seja tão grave ao ponto de sua demissão da pasta.

Em uma reunião com todo o seu ministério, em 6 de janeiro, Lula foi enfático em dizer que “quem fizer errado deixará o governo”. 

“Quem fizer errado sabe que só tem um jeito: a pessoa, simplesmente, de forma delicada e mais educada possível, será convidada a deixar o governo, e se cometer algo grave, a pessoa terá que se colocar diante das investigações e da própria Justiça.”

O bloqueio de bens é considerado grave, mas será necessário concluir as investigações e ter provas mais concretas para mudar o cenário da pasta. Correligionários de Juscelino admitem que a situação traz desgaste para a legenda e para o governo. Não é a primeira vez que Juscelino se envolve em problemas. Em março, aliados pressionaram pela sua demissão, por causa do asfaltamento de uma estrada, com recursos da emenda, na sua fazenda no Maranhão, além de recebimento irregular de diárias do governo. Na ocasião, apesar de tudo, Lula decidiu mantê-lo no ministério, diante do clamor de líderes do União Brasil, de que a exoneração poderia trazer desgaste do partido com o governo.

O Ministério das Comunicações tem um orçamento de R$ 3,4 bilhões para este ano. O Planalto não vê a possibilidade de a União Brasil deixar o comando da pasta, mesmo que o ministro deixe o governo. Juscelino conta com o apoio do titular da bancada, senador Davi Alcolumbre (AP).A nota assinada pelos líderes da Câmara e do Senado – Elmar Nascimento (BA) e Efraim Filho (PB) – diz que o ministro é “alvo de ataques” desde que assumiu o cargo e que tem respondido com muita dedicação ao trabalho”.