“É sério o risco de Itabira se transformar em uma cidade fantasma”, alerta o sindicalista André Viana
Presidente do Sindicato Metabase foi homenageado e discurso durante a tradicional entrega de honrarias da Câmara de Vereadores

Entre os homenageados pela Câmara Municipal de Itabira, na noite da última sexta-feira (22), o presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, André Viana Madeira, fez um discurso alarmante sobre o futuro de Itabira — e a necessidade de se trabalhar pela diversificação econômica do município. Integrante do conselho de administração da Vale, o sindicalista foi taxativo ao dizer que “é sério o risco de Itabira se transformar em uma cidade fantasma”.
“É importante frisar que o tempo para uma cidade é diferente do que para nós, simples mortais. Se para a gente 2041 é um tempo distante, para uma cidade e a construção de sua história, é um tiquinho de nada. 2041 é a nova data prevista para a exaustão mineral, que pode ser dilatada e chegar até mesmo a 2060, como já vaticinou o ex-diretor José Francisco Viveiros, em histórica reunião na Acita, em 2003. Mas se para nós, cidadãos, é ainda um longo tempo, para a cidade que precisa diversificar a sua economia, é um sopro. Passa rápido, e se nada for feito no tempo presente, aqui e agora, é sério o risco de Itabira se transformar em uma cidade fantasma, sem serviços básicos até mesmo de coleta de lixo, sem ter como honrar a folha salarial dos servidores municipais, sem recurso para investir no básico do básico com as políticas públicas necessárias e demandas sociais sempre crescentes”, sentenciou André Viana.
As declarações de André Viana são um alerta para que o município busque novas alternativas de rendas, com a atração de novas empresas e o fortalecimento de outros setores da economia local. O pronunciamento, ainda, aconteceu na mesma semana em que foi anunciado o orçamento da cidade para 2024 — superando a casa de R$ 1 bilhão. “O tempo presente que vivemos em Itabira, se ainda é de pujança, de geração de quase dez mil empregos diretos e indiretos pela mineração, responsável também por cerca de 80% da arrecadação municipal, não podemos deixar o tempo passar devagar, como se essa riqueza fosse eterna, para sempre. Por que não é, pois, minério não dá suas safras, embora novas tecnologias possam gerar, como já tem gerado, novos ciclos tecnológicos da mineração, prolongando a sua vida útil”, observou.

Em seu discurso, o sindicalista defendeu a necessidade de união da classe política para que alternativas para o desenvolvimento de Itabira sejam pensadas, planejadas e executadas. “Sei que tudo isso pode ser mudado e isso precisa acontecer desde já, não há mais tempo a perder, não podemos cruzar os braços e ver a vida passar devagar, como já nos alertou o poeta Carlos Drummond de Andrade, a quem temos grande admiração pelo que representa para a nossa literatura, como também pelo muito que lutou em prol de nossa cidade. Nós, agentes políticos, responsáveis e sabedores de toda essa situação, temos um papel de fundamental relevância para reverter esse quadro, sem dar mais tempo ao tempo que vai dia a dia ficando mais escasso”, pontuou.
“Temos que seguir de mãos dadas para construir um futuro de sustentabilidade que desejamos para o nosso município, com justiça social, com justa distribuição de renda e oportunidades de trabalho para todos que aqui vivem, trabalham e constroem o seu futuro no tempo presente. Uma nova mineração que traga benefícios e lucros não só para os acionistas da empresa Vale, mas também para todos que nela trabalham, para as cidades mineradas e as populações dos territórios onde está presente, assegurando o bem-estar social, avançando em nossas conquistas por um futuro melhor para todos.”, completou André Viana.
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O presidente do Metabase também delegou aos demais homenageados da noite a responsabilidade de seguirem atuando na comunidade em prol do desenvolvimento e diversificação econômica local. “Cada um de nós que aqui estamos, homenageados ou não, temos um papel social e político a cumprir, na busca de uma sociedade justa e equânime, com oportunidades de educação, emprego, moradia e bem-estar geral para todos os segmentos sociais”, afirmou. “Como municipalistas que somos, devemos fazer esse alerta em defesa de Itabira, uma cidade minerada há mais de 80 anos que teve os seus ganhos com a mineração, mas também perdas incomparáveis com o meio ambiente, como a falta de água, já que a maioria das outorgas ficou com a Vale”, destacou.




