Promessa da Seleção, Vinícius Henrique busca o sucesso em homenagem à mãe
Vinícius exibe as conquistas e projeta futuro brilhante no futebol
O futebol parece ser mesmo o destino certo para Vinícius Henrique Nogueira Pena, de 15 anos. Desde bem cedo, as peladas eram comuns entre os amigos nas ruas do bairro Fênix, em Itabira. A habilidade e o gosto pelo esporte chamavam a atenção, até que um amigo da família conseguiu que o garoto passasse a treinar na escolinha de futebol do Clube Atlético Itabirano (CAI).
Vinicius treinou dos quatro aos 12 anos no CAI, sempre sob a tutela de Geraldo Lúcio “Sacolinha”, seu primeiro treinador. Durante esses oito anos, muita disciplina foi exigida de Vinícius, que relata a firmeza com que o técnico do CAI tratava seus comandados. “Ele era muito bravo, brigava com a gente o tempo todo, mas no final das contas isso me preparou muito para enfrentar tudo o que passei”, contou o jovem atleta.
A vida foi mesmo dura com o rapaz e ele demonstrou ter aprendido a ser forte. Após o período no CAI, ele treinou durante dois anos no Valeriodoce Esporte Clube (VEC), com Mauricinho. E foi ali que o destino começou a mudar. O jogador fez um teste no América Mineiro e foi aprovado. “Gostaram muito dele, inclusive queriam subir direto para o infantil na época, mas não deixaram alegando que não podia queimar etapas”, conta o pai orgulhoso, Ivan Moreira Pena, 46 anos.
Para quem é talentoso, basta apenas a oportunidade para mostrar o que sabe. No América, Vinícius garantiu a camisa 10 do time e teve uma sequência muito positiva de jogos. Em uma vitória sobre o Cruzeiro, na Toca da Raposa, o itabirano se destacou e chamou a atenção do agente Luciano Brustolini. “Coincidentemente, a esposa do Sacolinha é prima do Luciano e depois que fui descobrir que o Sacolinha já estava conversando com ele para me empresariar. Mas durante a partida o Brustolini não sabia quem eu era”, lembra Vinícius.
E foi difícil tirar a promessa do América, conta o pai. “Ele tinha a opção de ir para o Atlético-MG ou para o Cruzeiro, eu deixei na mão do Brustolini e ele acabou indo para o Cruzeiro”, relembra. Vinícius justifica a escolha pelo clube como o melhor para sua carreira. “Lá dentro tem escola, não preciso sair para nada. Tem toda a estrutura que preciso”, argumenta.
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Vinícius se apega ao carinho do pai Ivan para chegar cada vez mais longe e superar a ausência da mãe
Dificuldades
Nesse meio tempo, a primeira batalha já era travada, mas não por Vinícius. Enquanto o jovem seguia os passos para se tornar um jogador de futebol, a mãe, Vânia Lúcia, lutava contra o câncer e se empenhava em ver seu filho como um atleta de destaque. “Ele não podia ficar sozinho quando foi treinar na Toca da Raposa, então a mãe o acompanhou, mesmo fazendo quimioterapia”, contou Ivan, que não podia largar o serviço de operador de máquinas, em Itabira.
A segunda barreira enfrentada por Vinícius foi na carreira. Logo quando chegou ao Cruzeiro, o treinador o colocou no terceiro time. “Pensei em desistir da carreira. Estava bem no América, de titular”, lembra o jogador. Mas o pai prontamente impediu que o menino desistisse de tudo. “Liguei para o empresário e perguntei o que havia acontecido. Ele explicou que o treinador tinha o colocado no terceiro time porque o Vinicius chegou lá achando que era o Pelé, que era o craque do time”, recorda Ivan, aos risos.
Com a cabeça no lugar, Vinícius ganhou oportunidades e mostrou serviço. De meia passou a jogar como centroavante e continuou a se destacar. “Meu treinador disse para eu me dedicar, que ele vai trabalhar comigo, pois, segundo ele, vou ser um dos melhores centroavantes do Brasil”, disse o garoto, ciente de que não pode deixar o sucesso subir à cabeça.
Grande baque
Quando parecia tudo bem, em 2014, Vânia Lúcia perdeu a batalha contra o câncer. Foram dois anos de muita luta. “Sempre foi o sonho da minha mãe me ver jogar. Sempre quis me ver na Seleção, o sonho era mais dela do que meu. Levo isso como um estímulo”, emociona-se Vinícius. “Eu sabia da situação que ela estava, mas ela não mostrava que sofria. Para me ver feliz, se mostrava bem para mim”, completa.
O pai, com lágrimas nos olhos, cita inúmeras vezes que a mãe, mesmo se sentindo mal, viajava para ver o filho jogar. “Ela pedia apenas saúde para poder ver o filho jogar bola”, lamenta. Apesar do sofrimento, Ivan disse ao filho que continuasse em Belo Horizonte. “Eu trabalho de turno, se ele estivesse aqui, com quem ele ficaria? Ele tinha que seguir a carreira. O clube tinha acompanhamento psicológico”, conta.
O baque da família foi muito grande, mas Vinícius não se deixou abater. Continuou treinando e foi coroado, neste ano, com a convocação para a Seleção Brasileira de Futebol sub-15. O jovem atacante disputou a Copa Natalício Del Libertador Simon Bolivar, na Venezuela, marcou dois gols em três jogos, mesmo estando na reserva, e foi campeão.
“Eu só quero virar profissional, mostrar meu valor. Mostrar que sou capaz, que eu lutei para isso e vou conseguir”, avisa o itabirano, que sonha em ganhar a Copa Libertadores pelo Cruzeiro. Quanto ao pai, Vinícius espera dar uma vida melhor a ele. “Agora não tem mais minha mãe, somos só eu e ele”, diz.
Sem plano B para a vida, Vinícius aposta todas as fichas na carreira de jogador: “É o que me deixa feliz, é o que eu gosto. Sei que se não tiver disciplina, não manter as regras, vou ficar sem futebol. E se eu não jogar, não vou conseguir ser ninguém”. Do futuro, ninguém tem certeza. Com apoio da família e o pensamento na mãe, Vinicius seguirá driblando as dificuldades para brilhar dentro e fora dos campos.