Morte na Papuda: as reações de Barroso e Moraes

Presidente do STF desejou solidariedade aos familiares de Clériston Pereira da Cunha, falecido nesta semana

Morte na Papuda: as reações de Barroso e Moraes
Foto: Roberto Jayme/ASCOM/TSE

Dois dias após a morte de Clériston Pereira da Cunha, detido no presídio da Papuda pelos atos de 8 de janeiro, o ministro do STF (Superior Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, revogou nesta quarta-feira (22) a prisão de quatro réus. Durante sessão da Corte, o presidente da instituição afirmou:

“Digo em nome do STF. Toda perda de vida humana, ainda mais quando se encontra sob custódia do Estado brasileiro, deve ser lamentada com sincero sentimento. Registro que não é o Judiciário que administra o sistema penitenciário. Seja como for, manifesto, em nome do tribunal, solidariedade à família do cidadão brasileiro que faleceu no presídio da Papuda no dia 20 de novembro de 2023”.

Barroso ainda afirmou que “morrem quatro pessoas por dia em presídios brasileiros, em geral de causas naturais, que todavia, podem ser agravados pelas condições carcerárias, e que o Supremo decidiu, em outubro declarar um ‘estado de coisas inconstitucional’ no sistema carcerário do País e determinar que os governos federal e estaduais elaborem planos para reverter esse cenário”.

Advogado de defesa de Thiago de Assis Mathar, um dos réus do 8 de janeiro, Hery Waldir Kattwinkel disse em audiência ao ministro Alexandre de Moraes:

“Eu vejo que o ministro Alexandre de Moraes inverte o papel de julgador aqui nessa Suprema Corte. Ele passa de julgador a acusador. É um misto de raiva com rancor com pitadas de ódio quando fala dos patriotas. A cena que vi lá (na Papuda) me lembrou muito o Holocausto. Vi muitos pais de famílias de cabelos brancos, como vossas excelências, mulheres, aposentadas, como se bandidos fossem da mais alta periculosidade”, afirmou.

Depois da fala do advogado, Moraes afirmou que a sustentação do defensor era um exemplo do que não fazer em um tribunal.