Com salários atrasados, médicos ameaçam cruzar os braços em Itabira

Doutor Caio, diretor clínico no HNSD; Reynaldo Damasceno, secretário de Saúde; e Vaquimar Vaz, provedor do HNSD: busca conjunta por uma solução

Com salários atrasados, médicos ameaçam cruzar os braços em Itabira
Os médicos do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD) e do Pronto-Socorro Municipal de Itabira fizeram uma assembleia, na noite dessa quarta-feira, 2 de setembro, para discutir quais medidas vão tomar devido a atraso no pagamento de salários. A reunião, a portas fechadas, aconteceu no auditório do hospital e discutiu a possibilidade de paralisação. A medida não foi tomada por enquanto, mas não está descartada, segundo o diretor clínico do HNSD, doutor Caio Seródio.
 
Os médicos, cerca de 130, têm contrato de prestação de serviço com o hospital e recebem entre os dias 15 e 20 de cada mês. Em agosto, devido à falta de dinheiro, a instituição pediu prazo até o dia 31. Como a data passou e o salário não caiu na conta, os médicos resolveram se mobilizar.
 
“Existe uma preocupação muito grande, principalmente com a população. Sabemos que temos um grande número de usuários, inclusive do Sistema Único de Saúde, que dependem do Pronto-Socorro, das unidades do SUS no hospital. Então, quando tivemos a notícia do não recebimento de salário, houve uma grande manifestação médica dentro do hospital. Eu, como sou médico e diretor clínico, fui chamado. Estamos preocupados porque todos nós temos compromissos financeiros”, disse doutor Caio.
 
O diretor afirmou que o corpo clínico está ciente da crise e sabe que a Prefeitura está passando por um momento difícil. “Só que nós, médicos, estamos trabalhando, estamos atendendo, estamos prestando serviço à população. Então, antes de se tomar uma atitude drástica, de decidir por uma paralisação, tomamos por conduta sentar, conversar, discutir sobre o assunto, ver quais são as melhores medidas a serem tomadas”, ressaltou o médico, ao informar que vai recorrer também ao Conselho Regional de Medicina (CRM) para obter um parecer.
 
Médicos de fora
Durante a entrevista, doutor Caio externou uma preocupação com os médicos de fora que trabalham no HNSD e no Pronto-Socorro Municipal. Ele afirma que muitos desses profissionais vêm a Itabira só para o plantão e voltam a suas cidades de origem. “Nós que fazemos parte da comunidade itabirana estamos muito preocupados porque já começou uma debandada desses médicos. Eles não estão querendo vir trabalhar”, revelou.
 
Por enquanto…
Na assembleia ficou definido que, por enquanto, os profissionais continuarão a trabalhar. "Estamos deixando o hospital e a Prefeitura em estado de alerta. Novas reuniões podem acontecer, e daí, sim, pode sair uma decisão de uma provável paralisação. Mas tivemos uma conversa muito boa, os médicos foram muitos cooperativos, foram muito atenciosos, entenderam a posição da Prefeitura, o que o hospital está vivendo”, detalhou.
 
Provedor
O provedor do Hospital Nossa Senhora das Dores, Vaquimar Vaz, informou que realmente a instituição não conseguiu pagar os salários dos médicos em agosto porque a Prefeitura de Itabira não repassou os recursos das contratualizações que tem com a instituição. De acordo com o provedor, são três convênios referentes ao HNSD, Pronto-Socorro e Samu. “O recurso que eu tenho para pagar médico é o que recebo. Presto serviço para o município e temos de receber para pagar”, informou Vaquimar.
 
O provedor disse ainda que, dependendo da situação, pode acontecer a suspensão temporária de algum tipo de atendimento, como as cirurgias eletivas, que são agendadas previamente. “Se chegar a isso, eles [os médicos] não são irresponsáveis a ponto de parar de um dia para o outro. E nem podem. A própria lei não permite. Mas está sendo muito conversado, está tendo muito diálogo”, ressaltou, ao afirmar que o custeio hospitalar sob sua administração gira em torno de R$ 4 milhões por mês.
 
Secretário de Saúde
Procurado, o secretário municipal de Saúde, Reynaldo Damasceno, confirmou o atraso, mas garantiu que a Prefeitura está fazendo de tudo para normalizar os pagamentos feitos ao HNSD. “Até 31 de julho conseguimos fazer os repasses, e eles [médicos] receberam referente ao mês anterior. O que deveria ter sido pago até o dia 20 [de agosto] é que nós não conseguimos pagar. Repassamos já uma parte essa semana e devemos concluir até início da semana que vem. Aí vamos estar quites com o mês de agosto, referente ao que eles trabalharam em julho. Aí começa o mês de setembro”, disse Reynaldo.

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