Estação mais fria do ano motiva doenças como gripe, resfriado e sinusite
O s últimos três anos para a dona de casa Vanda Martinho de Alvarenga, moradora de Itabira, têm sido do mesmo jeito. Entra o inverno, ela e o marido José Filho precisam correr com o pequeno Abel Gabriel de Alvarenga de Souza, 3 anos, para o médico. Na metade do mês de junho, pouco antes […]

O s últimos três anos para a dona de casa Vanda Martinho de Alvarenga, moradora de Itabira, têm sido do mesmo jeito. Entra o inverno, ela e o marido José Filho precisam correr com o pequeno Abel Gabriel de Alvarenga de Souza, 3 anos, para o médico. Na metade do mês de junho, pouco antes de começar ofi cialmente a estação mais fria do ano (o inverno vai de 21 de junho até 23 de setembro) o menino já estava com todos os sintomas da doença mais comum da estação: a gripe. Nariz congestionado, coriza e falta de ar durante o sono são alguns dos sintomas que atormentam o garoto.
“Ele sempre gripa. Esfriou um pouco que seja, ele já fi ca doente. Com isso, às vezes ele fica bem irritado, enjoadinho e querendo ficar só no colo”, explica Vanda. O garotinho é portador da Síndrome de Down, o que acaba piorando a situação, já que abaixa a imunidade do organismo. De acordo com Vanda, o pediatra a orientou a não sair com a criança muito à noite e nem muito cedo.
Casos como o do garoto Abel são frequentes nesta época do ano. O pediatra especialista em pneumologia, Wenderson Clay Correia de Andrade, lembra que as infecções das vias aéreas são as mais comuns no inverno. Entre asdoenças de maior recorrência estão o resfriado, laringite, faringite, otite e sinusite. Nas crianças com menos de dois anos também é muito comum a ocorrência da bronquiolite viral aguda, doença que atinge os brônquios e os bronquíolos.
De acordo com o médico, com a chegada do outono e do inverno, o ar frio e seco tende a ser mais agressivo às barreiras de proteção naturais das vias respiratórias, o que pode favorecer a infecção, principalmente pelos vírus. Outro fato a ser lembrado é que com a queda das temperaturas as pessoas se aglomeram mais em ambientes fechados, o que facilita a transmissão dos vírus respiratórios. Ainda segundo o profi ssional,os que mais sofrem com as mudanças são as crianças e os idosos, porque possuem um sistema de defesa menos eficaz.
No caso das crianças, o especialista diz que o interessante seria evitar, ao máximo, o contato com outras crianças nesse período, mas ele pondera: “O acometimento por vírus predomina nas doenças respiratórias em pediatria. Principalmente nos menores de cinco anos e mais ainda naqueles que frequentam creches e berçários. Se pudéssemos evitar a inclusão de crianças pequenas nesses locais, teríamos na prática um grande fator de proteção para infecções de repetição. O problema é que muitas famílias têm que lançar mão dessa alternativa para que a mãe possa trabalhar”.
Jovens também sofrem
É muito comum as pessoas confundirem gripe e resfriado. Apesar das semelhanças, as doenças se distinguem e são causadas por diferentes vírus. Conforme o pneumologista Augusto Gonçalves Araújo, o resfriado comum apresenta sintomas mais localizados na região das vias respiratórias superiores, com espirros, coriza ou congestão nasal e tosse de leve intensidade. A febre, quando presente, não é alta e não causa desconforto. As pessoas acometidas por um resfriado conseguem desempenhar as atividades do dia a dia, sem necessidade de repouso. Já a gripe é uma doença de maior gravidade, com sintomas mais salientes, que levam o paciente à fraqueza. Apresenta sintomas de febre, dor no corpo e mal estar. “Há possibilidade de casos mais graves, com potencial de morte, principalmente em idosos e crianças”, alerta o profissional.
Os jovens e adultos, que teoricamente não fazem parte do grupo de risco, também sofrem com o mau tempo. O inverno atinge não somente o pequeno Abel, citado no início da reportagem, mas também a irmã dele, Kênia Maria de Alvarenga, 20. Todos os anos, quando a temperatura cai, ela acaba tendo problemas. Kênia conta que já ficou até sete dias com a garganta fechada e dolorida, cessando somente com injeção de Benzetacil. Neste inverno ela decidiu procurar um especialista para tentar amenizar os impactos causados pelo tempo frio.
A estudante Larissa Laureana de Brito, 16, também não escapou do inverno. No começo de julho, ela estava na escola quando começou a sentir muita febre, dor de cabeça e o rosto queimando. Pronto. Mais uma vez, a gripe a pegou de jeito e a jovem teve que ir para o Pronto-Socorro de Itabira para receber atendimento.
Larissa sofre de bronquite e sempre que esfria os sintomas aparecem. A mãe tenta ajudar, lavando as cobertas com maior frequência e as deixando ao sol para espantar poeira, ácaro, etc. A estudante faz nebulizações constantes, mas normalmente não precisa de remédios. Mesmo com esses cuidados especiais, a própria estudante confessa que comete deslizes e não presta muita atenção em recomendações básicas. “Quando eu falo que gripei, minha mãe só fala: eu avisei”, conta, meio desconcertada.
O médico Augusto Araújo explica que não é comum vários episódios de gripe dentro do mesmo ano, já que há sazonalidade na circulação dos microorganismos. Algumas pessoas podem pensar que isso acontece porque confundem os sintomas com os de outras doenças. “As pessoas com baixa imunidade podem apresentar infecções de repetição, sendo as principais e mais graves as sinusites, otites e as pneumonias”, esclarece.
O pneumologista ressalta que a imunização com a vacinação antigripal é necessária antes do período do inverno, para que o organismo possa criar imunidade contra o vírus Influenza nesse período de maior circulação. Como os vírus sofrem mutações, sendo diferentes a cada ano, é necessária a vacinação anualmente.
Afinal, como evitar as doenças típicas do inverno?
O pneumologista Augusto Gonçalves Araújo lembra que o meio mais efetivo para evitar as doenças do inverno são as vacinas recomendadas pelo Ministério da Saúde, principalmente em grávidas, idosos e crianças.
Outra forma importantíssima de evitar essas doenças típicas do inverno são os cuidados de higiene, como lavar bem e com frequência as mãos, deixando o ambiente arejado, evitar locais fechados e aglomerados e evitar contato com poluição e cigarros, que são conhecidos irritantes das vias respiratórias.
A higienização da residência e do local de trabalho também são importantes para evitar a proliferação de ácaros. Manterse bem hidratado e utilizar soluções fi siológicas nos olhos e narinas para lubrificação, evitando a irritação.





