Candidatos de Itabira também se sentiram lesados em prova da Polícia Militar
Layro Duarte, 26 anos, foi um dos vários candidatos da cidade
Candidatos que fizeram o concurso da Polícia Militar de Minas Gerais iniciaram nessa segunda-feira, 3 de agosto, um abaixo-assinado para a anulação das provas feitas no último domingo, 2, em Belo Horizonte. Inscritos de várias partes do Estado reclamam da desorganização na realização das provas e pedem ao Ministério Público Estadual (MPE) o cancelamento das avaliações.
Dentre eles, inúmeros candidatos também de Itabira se mostram indignados. Esse foi o caso de Layro Duarte, 26 anos, um dos vários candidatos da cidade. Desde o final de abril, ele e mais sete colegas seguiam para Belo Horizonte todo final de semana para fazer cursinho preparatório para a prova. Na hora da avaliação, decepção. “Os próprios PMs que aplicaram as provas não sabiam como aplicar. E eles mesmos falaram que não tinham efetivo suficiente para a aplicação da prova, fiscalizar e apoiar aos que queriam ir ao banheiro”, relatou. Layro disse que não foram distribuídas folhas de rascunho para a redação. Ele deseja o cancelamento do concurso. “Pela bagunça, deveria ser cancelado e contratar uma empresa terceirizada para aplicá-la, uma vez que eles mesmos disseram não ter profissionais aptos para aplicarem”, defende.
Segundo algumas reclamações, os candidatos conseguiram até tirar fotos pelo celular do momento da prova. Outro que se sentiu incomodado com a situação foi o contador Ary Luciano. Apesar de ter consultado o edital e ver que no item 6.13 a PM poderia ou não fornecer folha de rascunho para a redação, ele obteve a informação de que em outras unidades de aplicação, candidatos receberam folhas. Segundo Ary, mesmo advertidos que cadernos não poderiam ser levados ao local de prova, nas redes sociais fotos de cadernos com a redação foram divulgadas. Ele afirmou que muitas pessoas até distribuíram papel de caderno, que foram passados a colegas para a redação. “Até mesmo a nossa legislação diz que todos temos direitos iguais. Incomodou, porque tive que fazer a redação direta, o que nos expõe ao erro. Isso realmente me deixa muito chateado com o concurso. Espero que pelo menos a redação seja anulada”.
Nota da Polícia Militar
De acordo com uma nota enviada à redação de DeFato Online, a PM informou que não foi encontrada, nem constatada nenhuma circunstância fática ou jurídica capaz de causar a anulação ou a nulidade do Concurso de Soldado/2016. “Todas as reclamações de candidatos referentes a algum tipo de falha, que, porventura, eles tenham encontrado, podem ser formalizadas diretamente no Centro de Recrutamento e Seleção (CRS)”, diz um trecho do comunicado.
Todo candidato que se julgar prejudicado tem o direito constitucional de procurar a Vara da Fazenda Pública e ajuizar uma ação ou o Ministério Público, nos termos da Constituição Federal. A PM adiantou que a previsão da divulgação do local de prova, conforme previsto no anexo “A” do Edital, seria a partir do dia 24 de julho e apenas no endereço do site do CRS.
Petição pública
Ao todo, o concurso teve 101.604 inscritos. Não foi informada a quantidade de abstenções. Esse foi o segundo maior certame já realizado pela PM, perdendo em procura de candidatos apenas para o teste feito em 2014. As provas teriam sido elaboradas exclusivamente pelos militares e nenhuma empresa foi contratada para a aplicação das avaliações. Uma petição online foi criada para tentar o cancelamento da prova. Há reclamações e relatos dos mais variados.