Críticas à municipalização do HCC dominam abertura da Jornada Científica
Médico João Batista, do Conselho Regional de Medicina, criticou proposta de tornar o Hospital Carlos Chagas exclusivo para atendimentos do SUS

A Associação Médica de Itabira deu início à 25ª edição da Jornada Científica na noite dessa quinta-feira, 2 de julho, e o tema predominante foi a municipalização do Hospital Carlos Chagas (HCC). O evento foi realizado no auditório da Acita, no bairro Esplanada da Estação. Durante o encontro, os profissionais demonstraram preocupação e não pouparam críticas à proposta de transformar o HCC em uma instituição exclusiva para atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS).
O evento contou com as presenças do presidente da Associação Médica de Minas Gerais, Lincoln Lopes Ferreira, e do diretor do departamento de Delegacias Regionais do Conselho Regional de Medicina (CRM), João Batista Gomes Soares. Os dois engrossaram a preocupação dos médicos itabiranos com a mudança que está para acontecer no Hospital Carlos Chagas. “É uma ideia perigosa”, disse o representante do CRM.
João Batista usou dados para embasar sua opinião. Ele mostrou que o HCC hoje possui cerca de 80 leitos, sendo que 67% deles são destinados ao SUS. O médico afirmou que a tabela da saúde pública é insuficiente para bancar uma instituição do tamanho do Carlos Chagas, sendo necessário o dinheiro dos planos de saúde. Além disso, em Itabira há uma situação diferente de outras localidades, que é a grande parcela de pessoas cobertas pela saúde complementar.
“Em Itabira há uma situação sui generis. Quase 45% da população possui plano de saúde. Enquanto outras cidades buscam o dinheiro da saúde complementar porque o SUS não dá conta de sustentar o sistema, aqui estamos indo na contramão disso. Acho essa ideia perigosa. É uma coisa maluca que nasceu da cabeça de alguém que daqui a pouco vai embora e deixará a estrutura para trás”, afirmou o médico João Batista em referência à promotora Adriana Torres Beck, autora da ação que deu origem ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que definiu o hospital exclusivo ao SUS.
O presidente da Associação Médica de Itabira, Virgilino Quintão Tôrres Cruz, compartilhou a preocupação do conselheiro do CRM. Para ele, a municipalização do Carlos Chagas não é o ideal por causa do perfil da cidade. “Itabira, pelo que foi mostrado, tem 45% da população com plano de saúde e o que o SUS paga pelos procedimentos são tabelas deficitárias. Você não consegue cobrir os curtos do tratamento com essa tabela. E o plano de saúde, quando participa na instituição de saúde, geralmente ajuda a financiar essa instituição porque a tabela da saúde suplementar é mais adequada e consegue cobrir custos com margem de lucro”, argumentou.
Apesar da mudança já estar concretizada em uma sentença transitada em julgado na esfera judicial, o médico Virgilino Quintão disse que ainda tenta uma nova solução. “A Associação Médica e o CRM têm tentado conversar com a gestão pública e com o Ministério Público para tentar avaliar se essa é, realmente, a melhor opção para a gente e para os pacientes da cidade. Nós vamos tentar conversar para chegar a um acordo e, se não for possível, termos de adequar à realidade que for criada”, afirmou.
A Jornada Científica termina nesta sexta-feira, 3 de julho, com coquetel para os médicos. O evento também será na sede da Associação Comercial e Industrial de Itabira (Acita).
Encontro na Câmara
Um dos principais críticos da mudança que acontecerá no HCC, o médico Gastão Magalhães, diretor técnico da instituição hospitalar, convidou o respresentante do Conselho Regional de Medicina para falar sobre o tema na Câmara de Vereadores. O profissional disse que que foi chamado por vereadores, mas que preferia repassar essa missão ao conselheiro. João Batista aceitou a ideia e pediu que o colega marcasse uma data para audiência na Casa Legislativa. O presidente da Associação Médica de Minas Gerias, Lincoln Lopes Ferreira, também se colocou à disposição.





