Empresário morreu após briga com enteado, aponta investigação

José Claudio morreu após confusão em condomínio

Empresário morreu após briga com enteado, aponta investigação

A morte do empresário José Claudio Pires Lage, 49 anos, está praticamente elucidada pela Polícia Civil. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Juliano Alencar, após escutar os envolvidos e os legistas, as investigações apontam que o comerciante faleceu devido a uma agressão na região do abdômen. O enteado da vítima confessou que entrou em luta corporal com José Claudio e desferiu um chute na barriga dele.

A ocorrência foi registrada no último domingo, 14 de junho, no condomínio Quintas da Rocinha, próximo ao bairro Pedreira. Segundo o delegado, José Claudio foi morto após se desentender com a namorada Gislene Dornelas Mendonça Guerra, 43 anos. O empresário teria desferido uma facada na mulher, que gritou por socorro. Os filhos dela, que moram ao lado, chegaram na residência e o mais velho teria entrado em luta corporal para defender a mãe.

O filho mais velho se apresentou à Delegacia de Polícia Civil de Itabira na noite da segunda-feira, 15 de junho, acompanhado de um advogado. Ele confessou ter agredido o empresário.

“O filho de Gislene afirmou que quando chegou ao local, ainda vira José Cláudio abraçado com a vítima, percebendo então que ela estava ferida. José Cláudio teria dito, então, que buscaria outra faca, virando-se de costas e tentando deixar o local, motivando o filho a ir atrás dele para impedir. Neste momento, ele alega que José Cláudio tentou agredi-lo, entrando em vias de fato a partir daí. Durante a luta corporal, afirma que desferira um chute contra a barriga de José Cláudio, que caiu e bateu a cabeça”, contou o delegado.

De acordo com Juliano Alencar, o trabalho do legista apontou que a causa da morte de José Claudio foi um golpe forte na região do abdômen. O delegado também disse que o empresário fazia uso contínuo de álcool, o que foi um fator complicador.

O delegado indica que as investigações apontam para legítima defesa. “Não acredito que a intenção do filho ao entrar em luta corporal com José Cláudio, principalmente diante da maneira como os fatos ocorreram, fosse de assassinar a vítima. Até o momento, os elementos indicam para a legítima defesa de terceiro, de forma proporcional, com um resultado mais grave do que o esperado pelo filho, hipótese de lesão corporal seguida de morte. A aplicação ou não da legítima defesa será avaliada pelo Judiciário”, afirma.

Investigações

Juliano Alencar disse que espera encerrar o caso na semana que vem. Segundo ele, o que resta agora é apurar porque José Claudio e a namorada se desentenderam. Para o delegado, a ferida na mulher aponta que a intenção do empresário era matar Gislene. “Pelo direcionamento e tipo de golpe, utilizando a faca não só para cortar, mas principalmente para perfurar, e dirigido às costas da vítima, é possível afirmar que possuía o animus necandi, ou seja, intenção de matá-la”, afirmou.

De acordo com o delegado, a confusão aconteceu depois de o empresário e a namorada terem bebido o dia inteiro. A mulher continua internada e afirma não se lembrar de mais nada depois de ter sido esfaqueada e ter pedido socorro.

O filho mais velho de Gislene continua em liberdade após o depoimento à Polícia Civil. Ele se apresentou de maneira espontânea e fora do período de flagrante. Após a conclusão da investigação, com todos os fatos esclarecidos, o delegado Juliano Alencar irá decidir se vai apresentar ou não o pedido de prisão do envolvido.