Apaixonados por miniaviões movidos a combustão
Samuel lamenta falta de área adequada para voar com seu avião de 1,8 metro
Parece brincadeira de criança, mas não é. Miniaturas (às vezes bem grandinhas) de aviões dos mais variados modelos encantam mesmo é gente grande. São os chamados aeromodelos, usados em pesquisa, competição ou simplesmente diversão. Em Itabira, há um grupo que reúne os apaixonados pelo aeromodelismo: o Aeroita. Criado há pouco mais de um ano, tem diversos integrantes que se encontram todo fim de semana no Distrito Industrial II.
Samuel Moreira de Oliveira, 46 anos, é um dos integrantes do clube. Nos dias de semana, ele é barbeiro e “personal dog”. Nas horas vagas e fins de semana, gasta o tempo “brincando” com seus aeromodelos. É encantado com aviões desde criança, mas os preços adiavam a realização do sonho de ter seu próprio miniavião.
O itabirano conta que começou com o automodelismo – carrinhos de controle remoto a combustível. Em 1996, quando entrou na Vale, investiu o primeiro salário na compra do inédito aeromodelo. Desde então, não parou mais. Sem conhecer muito sobre a prática, fez um curso em Belo Horizonte e aperfeiçoou suas técnicas com ajuda de outros itabiranos que já dominavam a brincadeira.
Atualmente, Samuel tem seis miniaviões de diversos tamanhos em sua coleção. O maior mede aproximadamente 1,80m de envergadura e tem motor a gasolina. Os demais usam metanol. “Já destruí bastante avião. Todo mundo vai cair um dia. Às vezes faz uma manobra mais arriscada e erra. À medida que vamos ficando mais experientes e cuidadosos, os riscos diminuem”, conta.
Itabira não tem uma pista específica para decolar os aviõezinhos, então é preciso improvisar. Os voos têm de respeitar as regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), portanto os “pilotos” só podem operar os aeromodelos longe de áreas urbanas. Voo sobre casas ou aglomeração de pessoas é proibido, por isso o grupo se reúne para se divertir no Distrito Industrial.
A falta de estrutura é problema quando o improviso sai caro. Como não há pista, os aviões levantam voo nas ruas do distrito e acidentes são comuns. “Costuma a pessoa dar uma vacilada, bater no meio-fio e quebrar a hélice. Dá para reformar, mas já é um prejuízo”, conta Samuel.
O ideal seria ter uma área afastada da cidade, com uma pista larga o suficiente, área de escape, terra lisa ou mato dos lados da pista para evitar danos aos aviões. E é isso que o grupo tenta conquistar.
Segundo Samuel, há algumas áreas que o Aeroita pretende reivindicar à prefeitura. “Não consigo usar em Itabira meu avião grande porque não tem espaço. Preciso ir a Guanhães ou a Belo Horizonte, onde tem estrutura. Até em São Gonçalo do Rio Abaixo já voei com ele”, conta o barbeiro-piloto, que acredita ser fácil conseguir um local para brincar à vontade no município.

Bruno Araújo e um dos aviões que construiu
Construção
O aeromodelismo não se resume apenas ao voo de pequenos aviões, mas também ao processo de construção. É o que faz o itabirano Bruno Araújo, 35 anos, no ramo há dois anos. Atualmente ele tem quatro aeromodelos, um helicóptero e um minidrone. Se entrar na conta todos os que já foram destruídos em decolagens e pousos malsucedidos, dá mais de uma dezena. “Somente um avião foi comprado, todos os outros eu mesmo construí”, conta.
Para Bruno, a expectativa de saber se o avião montado por ele mesmo funcionará torna o hobby ainda mais emocionante. “Construir é uma terapia e demanda paciência e tempo. Voar já é um teste de nervos, então envolve muita emoção”, diz Bruno.
Pode parecer complicado construir um aeromodelo, mas a internet ajuda. Os aviões são feitos a partir de plantas que podem ser baixadas na web ou compradas em lojas especializadas. Aí é só seguir o que indica o manual. O tempo varia de acordo com a prática e a dedicação de cada pessoa, mas em média dura uma semana para projetos mais simples.
Para quem está começando no ramo ou pretende iniciar, os aeromodelistas indicam muita pesquisa. A rede mundial de computadores está abarrotada de informação sobre o hobby, desde noções básicas, lojas específicas e modelos para construir.
Mas também é importante procurar ajuda de alguém experiente. “Não é tão simples como um carrinho de controle remoto ou uma pipa. Precisa de treinamento com um professor ou alguém com prática, pois o aeromodelo é muito perigoso e pode causar acidentes”, alerta Bruno. Para os interessados em saber explorar melhor o assunto, há bastante informação no Facebook do grupo (Aeromodelismo Itabira) ou no blog aeroita.blogspot.com.br.