A primeira hidrelétrica de Itabira

Casa da Usina, onde a água era captada e transformada em energia

A primeira hidrelétrica de Itabira

Matéria publicada na edição 268 da revista DeFato

No primeiro quarto do século XX, Itabira ganhava sua primeira usina hidrelétrica, a segunda em todo o estado de Minas Gerais. Naquela época, toda a energia gerada pela Usina do Ribeirão São José era direcionada à central de distribuição, no Centro da cidade, na casa onde funciona atualmente o Centro de Artesanato, próximo à Catedral. 

As construções datam de 1915. O complexo fica a aproximadamente 20 quilômetros do Centro da cidade e reúne, além da casa de máquinas, outras construções em ruínas. Uma servia de abrigo para o administrador da hidrelétrica na época; outra funcionava como escola para os trabalhadores. Além da beleza abandonada, natureza, cachoeiras e nascentes fazem parte do que hoje é o Parque Natural Municipal Ribeirão São José.

A usina fica na região do Engenho e o acesso é pela MGC-120. Após a rodovia, alguns minutinhos de carro por uma estrada de chão batido e pronto. Durante toda a extensão do caminho, placas indicam o rumo que o visitante deve seguir.

Neste ano a usina completa 100 anos. Apesar de ser uma data marcante, o complexo está desgastado pelo tempo e sem estrutura turística. A falta de manutenção transformou as construções em um monte de entulhos, exceto a casade máquinas, que está bem conservada. Geraldo trabalha no local há oito anos. Ele é um dos vigias contratados pela prefeitura e passa o dia todo sozinho no parque. “Já acostumei com essa tranquilidade”, conta.

Parque temático

Desde 2006 há um projeto conceitual elaborado pela Prefeitura de Itabira em parceria com a Vale para restaurar o parque. A ideia inicial era de transformar todo o complexo em um parque temático de energias alternativas, estruturado com espaços de convivência, lanchonetes, além de áreas destinadas à prática de esportes. “Seria um parque autossustentável, talvez gerando a própria energia necessária através da usina, com atividades frequentes e fácil de manter”, explicou o secretário municipal de Meio Ambiente, Nivaldo dos Santos.

O projeto, no entanto, permaneceu engavetado por anos. A discussão sobre a reforma só foi retomada em 2013, após entendimentos entre as secretarias de Obras e de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Inovação e Turismo. “Alguns cálculos foram refeitos e surgiu a ideia de fazer pelo menos o básico, que seria a reforma do prédio da usina, montar a portaria e começar a estruturar o local”, conta Nivaldo.

Mas a crise econômica obrigou a prefeitura a paralisar novamente o andamento do projeto. O município busca parcerias, além da Vale, para seguir adiante. “Temos trabalhado também com a Unifei, que tem cursos relacionados às propostas do parque, como Engenharia Ambiental, Elétrica e de Materiais. Estamos tentando viabilizar parcerias para desenvolver o projeto, até mesmo com outras empresas”, revela o secretário.

A diretora de fomento ao Turismo de Itabira, Elaine Cristina Linhares Diniz, destaca que a restauração dos prédios do Ribeirão São José é complicada. Devido ao estilo arquitetônico das construções, é necessário um cuidado especial e profissionais qualifi cados para manter a característica histórica. “O telhado é feito de lâminas de ardósia. Precisa de uma técnica especial para encaixar uma telha sobre a quina da outra de maneira que elas não caiam ou escorreguem”, exemplifica a diretora.

Mesmo sem estrutura, o parque é muito visitado, segundo Elaine. Ela revela que a maioria das pessoas que visita a usina não vai pela história, mas por ser um lugar agradável. “A simples existência atrai o visitante. Se bem estruturado, com a história bem contada, divulgação, a tendência é aumentar ainda mais o número de pessoas”, diz.

Projeto

A ideia do projeto é transformar a área da usina em um centro experimental de educação ambiental, entretenimento e cultura, com foco no tema energia. O projeto prevê a construção de uma portaria/guarita, estacionamentos, alojamento e administração. Inclui ainda a criação de um museu de energia, abrigado no prédio onde era a casa do administrador.

O parque abrigaria também um sistema primário para tratamento de água, a usina hidrelétrica, museu das ciências, placas de aquecimento hídrico, célula de hidrogênio e gerador eólico. Por fim, a criação de um mirante, um comércio artesanal, centro de convivência, praça, playground e trilhas. Para tirar tudo isso do papel, só falta o dinheiro.