Em 1976, quando tinha apenas 14 anos, José Pedro Santos, hoje com 50, perdeu as pernas em um acidente. Naquela época, como qualquer garoto, cultivava o sonho de ser jogador de futebol. E foi justamente quando iria fazer o que mais gostava que a vida lhe deu um duro golpe. Ele estava indo jogar bola com os amigos no Valério, precisou atravessar a linha do trem e foi atingido em cheio. E lá se foi um dos sonhos de José. Mas ele tinha outro.
José também sonhava ser mecânico. Aos 16 anos começou a trabalhar como assistente em uma oficina. Se esforçou, fez cursos e hoje é um profissional. “Não fiquei deprimido após sofrer o acidente, parti para cima dos meus sonhos. Para me ajudar comprei um carro adaptado, mas não uso muletas e nem cadeiras de rodas. Para mim é tudo normal, sou muito feliz”, contou o mecânico.
José trabalha em um ferro-velho na rua Dona Eleonora, no Centro da cidade, e mora no bairro Nova Vista. No dia a dia, a única dificuldade é o preconceito. “Para mim tudo é normal, mas o preconceito existe. Eu tento não reparar nessas coisas ruins. Eu nem ligo se estão me olhando, na verdade eu quero que me reparem mesmo, eu não me sinto menosprezado. Sinto orgulho de ser olhado”, disse.
Além do preconceito, José conta que um episódio triste da sua vida foi quando um homem tentou abusar de uma das suas filhas. “Ele aproveitou da minha condição, de pouca mobilidade, para abusar da minha filha. Isso foi o mais triste que já aconteceu”, lamentou.
No lado pessoal, o mecânico diz que a família sempre foi um ponto de apoio e que já foi casado duas vezes, mas hoje é divorciado. “Essas coisas de relacionamento não deram muito certo para mim”, brincou. José tem oito filhos e dez netos. Motivo de muito orgulho.
O mecânico deixou uma mensagem para todas as pessoas: “O segredo é ter fé em Deus, se você tiver o resto você consegue. Não entrem em desespero por poucas coisas. Dificuldades no dia a dia todo mundo tem, mas não podemos fugir, temos que encarar e trabalhar, porque tudo dá certo. A vida é boa”.