Tintas, pinceis e muito talento

Nascido e criado na Vila Amélia, Rafael é um artista nato

Tintas, pinceis e muito talento

Matéria publicada na edição 267 da Revista DeFato

Leonardo da Vinci, Michelangelo, Caravaggio, Nicolas Poussin, Salvador Dali e o brasileiro Vik Muniz são apenas alguns mestres da pintura que inspiram o artista- plástico itabirano Rafael Santos Fernandes. A lista, segundo ele, é extensa. Nascido e criado no bairro Vila Amélia, Rafael tem talento nato. Percebeu o dom logo cedo, assim que entrou na pré-escola, aos 6 anos. Nessa época ilustrava as tarefas escolares e encantava as professoras. A mãe sempre foi uma grande incentivadora e pedia ao garoto para fazer um desenho especial para cada texto ou trabalho que levava para as aulas. “Quando temos um dom, descobrimos naturalmente, e muito cedo”, diz.

Do desenho para a pintura foi um pulo. Mais de duas décadas depois, o artista de 34 anos tem incontáveis trabalhos assinados e sempre está em busca do aperfeiçoamento. Embora seja autodidata e não tenha frequentado uma faculdade, fez vários cursos de artes visuais. Em seus trabalhos, as técnicas mais utilizadas são óleo, giz pastel, grafite, lápis,  aquarela e colagem adesiva.

Rafael é um artista versátil. Vai das esculturas aos retratos, passando pelas figuras abstratas e pinturas sacras. Essas, inclusive, foram destaques em sua carreira. De família muito católica, o artista conta que sempre gostou de trabalhar figura humana, fi sionomia, anatomia. E explica sua inclinação para as artes religiosas. “Sempre admirei os grandes mestres das artes, especialmente os barrocos e os renascentistas. Isso, associado à minha criação e prática católica, fez voltar o meu trabalho mais para os temas sacros. Penso que foi dom associado à influência religiosa”, comenta.

Reconhecimento

Difícil lembrar quantos trabalhos já produziu. Para Rafael, os de maior evidência são os murais de pintura a óleo feitos em paredes de igrejas nas cidades de Barão de Cocais, Urucânia, São Domingos do Prata, Santa Maria de Itabira e Alvinópolis. Falar quais são as mais importantes também não é tarefa fácil. “Considero todos, pois sou muito grato aos que abriram as portas para que eu pudesse expor minhas obras. Mas o local onde houve mais repercussão e que me sinto extremamente grato a Deus e à curadora Iolanda Gontijo, foi no XVI Circuito Internacional de Arte Brasileira, em 2011, onde representei Minas Gerais e, é claro, nossa querida Itabira”. O Circuito teve duração de dois meses e passou por quatro países: Brasil (em Belo Horizonte), Espanha (Madri), Áustria (Viena) e Portugal (Lisboa).

Rafael acompanha de perto o cenário das artes no Brasil e, principalmente, em sua terra natal. Apesar de perceber progresso na área, sente que ainda tem muito o que ser feito por parte do poder público. “Mas esta lacuna existe para ser preenchida. Aos poucos vai melhorando; me sinto esperançoso em relação a isso”, afirma. Conterrâneo de Drummond,  Rafael está disposto a preencher esse espaço na medida do possível.