Prefeitura oferece 6,23% de reajuste, envia projeto para Câmara e pega sindicato de surpresa

Pela manhã, sindicalista se reuniu com representantes do governo municipal

Prefeitura oferece 6,23% de reajuste, envia projeto para Câmara e pega sindicato de surpresa
Uma estratégia da Prefeitura deixou irada a presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi), Priscila Miranda. Na manhã dessa terça-feira, 10 de fevereiro, ela se reuniu com representantes do governo para discutir o reajuste anual da categoria. O Executivo, então, ofereceu 6,23% de aumento salarial e 6,73% de acréscimo no cartão alimentação. À tarde, porém, o projeto com esses valores já estava na Câmara de Vereadores, com solicitação para ser votado de imediato. 
 
A presença do secretário de Governo, Edilson Lopes, e do chefe de Gabinete, Jadir Eustáquio do Espírito Santo, à reunião da Câmara já indicava que alguma coisa iria acontecer. De surpresa, o projeto foi lido pelo primeiro secretário Lúcio Mauro e rapidamente o novo líder do governo, Rodrigo Diguerê, pediu a inclusão da matéria na pauta de votações. 
 
Priscila disse que representantes do governo haviam informado que o projeto chegaria à Câmara nesta terça-feira, 10, para ser lido na reunião após o Carnaval, discutido pelas comissões no dia 25, e possivelmente, ser votado no dia 3 de março. A presidente, inclusive, já tinha marcado uma assembleia para apresentar os valores à categoria no dia 26. “Mas, pelo que eu vi, já estava uma estratégia formada, que a gente não sabia, para que a votação acontecesse hoje [ontem]. Tanto, que eles [secretário de Governo e chefe de Gabinete] estavam ali para por pressão, para que os vereadores não votassem contra o projeto”, reclamou.
 
Os vereadores Geraldo Torrinha (PDT) e Bernardo Mucida (PSB) criticaram a chegada e possível votação da matéria, alegando que não houve tempo hábil para análise do documento vindo da prefeitura. Mucida, então, pediu vista e a proposta não pôde ser votada. Paulo Soares (PSB) foi outro a se manifestar. Ele, que era líder do governo anteriormente, se colocou à disposição do sindicato.
 
Priscila Miranda disse que mobilizará os trabalhadores. Segundo ela, se os vereadores votarem a matéria antes da assembleia marcada para o próximo dia 26, o sindicato analisará com um advogado a possibilidade de acionar a Justiça para barrar a decisão, por meio de liminar.

Reajuste

Pela proposta da Prefeitura, de reajuste de 6,23%, o salário mínimo que hoje é de R$ 830 subiria para R$ 881. O cartão alimentação passaria dos atuais R$ 180 para R$ 192,11. O Governo argumenta que em 30 dias será contratada uma empresa para a elaboração do Plano de Cargos e Carreiras. No acordo, há diversos pontos que serão resolvidos somente após essa revisão e também depois de uma formulação do Estatuto dos Servidores.
 
A intenção do Sindicato era conseguir 27% de reajuste. Se a proposta fosse acatada, o salário mínimo dos servidores municipais subiria para R$ 1.054,10.