Diretora do Hospital de Conceição do Mato Dentro renuncia ao cargo

Paula Graciano teve as contas bloqueadas pela Justiça por causa das dívidas do hospital

Diretora do Hospital de Conceição do Mato Dentro renuncia ao cargo
Depois de ter suas contas e bens bloqueados pela Justiça, a diretora administrativa do Hospital Imaculada Conceição, em Conceição do Mato Dentro, entregou o cargo na última sexta-feira, 6 de fevereiro.
 
Paula Graciano deixou a instituição em meio a uma grave crise financeira que tem tirado o sono dos conceicionenses. Em entrevista a DeFato Online nesta terça-feira, 10, ela disse que saiu porque o trabalho afetou sua vida pessoal.
 
Paula, que também é secretária municipal de Saúde, disse que ao ter sua conta pessoal bloqueada pelo juiz da Vara do Trabalho de Guanhães, nem o salário recebe mais. Diretora do hospital desde agosto de 2011, ela afirma que as dívidas se arrastam desde 2000. 
 
O Hospital Imaculada Conceição deve cerca de R$ 9 milhões, contando passivos trabalhistas e dívidas com fornecedores. A diretoria buscou, inclusive junto às empresas que trabalham na cidade, recursos para colocar as contas em dia, mas sem sucesso.
 
Paula Graciano ressalta que durante o tempo em que foi diretora cerca de 30 funcionários se desligaram do hospital e praticamente todos fizeram acordo. Alguns que mantinham processo judicial contra a instituição também desistiram. Mesmo assim, o problema está longe de ser solucionado.
 
O hospital recebe cerca de R$ 50 mil/mês do Governo do Estado para custear folha de pagamento e outros gastos. Médicos, enfermeiros e remédios são bancados pela Prefeitura, ao custo de R$ 200 mil mensais. É o valor limite estipulado no termo de cooperação técnica entre a instituição, que é privada, e o município. “A Prefeitura só não ajuda mais porque não tem meios legais para isso”, justifica.
 
O Imaculada Conceição é o único hospital da cidade, faz cerca de 40 atendimentos diários e 100 internações por mês. É referência em saúde para os moradores das zonas rural e urbana. A situação é ruim e, segundo Paula, pode ficar ainda pior. Com sua renúncia, ninguém quer assumir a diretoria, e, sem diretor, o Estado interrompe a destinação do recurso. Aí não terá dinheiro nem para pagar o gás de cozinha.
 

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