Juras de amor, perseguição e desespero: áudio revela sentimentos de Ana Flávia antes de matar filhas e suicidar

Ana Flávia foi encontrada morta em quarto de motel de Itabira. Ela teria matado as duas filhas antes de tirar a própria vida

Juras de amor, perseguição e desespero: áudio revela sentimentos de Ana Flávia antes de matar filhas e suicidar

Um áudio gravado pela enfermeira Ana Flávia Marques Teixeira, 34, revela os sentimentos que tomava conta da mãe que matou as duas filhas e depois tirou a própria vida em um quarto de motel em Itabira. Em quase quatro minutos, a mulher jura amor às crianças, reclama de perseguição e demonstra desespero, além de falta de esperança.

A gravação foi enviada a uma amiga de Ana Flávia e se espalhou pelas redes sociais durante esta segunda-feira, 12 de janeiro. No áudio, a mulher deixa claro que o que levou a tomar atitude tão drástica foi a perda da guarda das filhas. “Tirou a única motivação que eu tinha para viver”, exclama, aos prantos.

A enfermeira também reclama do ex-marido, Graziano de Oliveira Batista, da família dele, da Justiça e de seus próprios parentes. O áudio será analisado pela Polícia Civil, informou o delegado Juliano Alencar. Além da gravação, Ana Flávia também deixou um bilhete com o telefone do pai.

Ouça trechos da gravação:

Amor às filhas:

“Eu precisava gravar esse áudio antes de eu ir. Gente, não tenha dúvidas de que eu amo minhas filhas. Graziano acabou com a minha vida. A família dele acabou com minha vida. Eu recebia ameaças o tempo inteiro de que eles iriam colocar as minhas filhas contra mim. Ele não me ajudou em nada na gravidez, negou a paternidade até o último momento”.

Críticas à Justiça:

“Tem um ano que eu tentei o direito da Sophia, de ter um registro, de ter um plano de saúde, de ter uma pensão digna para ela e chegou em dezembro e o juiz não me deu. Aos últimos 15 dias de dezembro, o juiz deu para Graziano a guarda de uma filha que ele negou o tempo inteiro. O juiz providenciou, imediatamente, o registro da menina, o plano de saúde e passou a guarda para ele. O que eu não consegui em um ano, o Graziano conseguiu em 15 dias”.

Sem motivação:

“Tirou a única motivação que eu tinha para viver, que são as minhas filhas. E ainda entra com pedido de guarda delas, só para me ver sofrer, só para ter o prazer de me ver sofrer. A minha família me odeia, as pessoas me odeiam. Eu não sou nada. Sempre me disseram que eu sou um lixo, que eu não presto, que eu não sirvo para nada”.

Despedida:

“Me perdoe todo mundo. Gi, eu te amo. Beth, obrigada por tudo. Maria eu te adoro. Mas, infelizmente, hoje acabou… acabou tudo. Até quando eu consegui aguentar eu aguentei. Mas agora acabou, não teve jeito mais. Só queria falar para vocês que não existe justiça na terra. Não existe justiça. Fui acusada de um monte de coisa que eu não fiz”.