Secom avaliza gafes de Lula e sugere que ele fale mais

Contraditoriamente, pesquisas recentes que avaliam o governo indicam não ser esse o caminho

Secom avaliza gafes de Lula e sugere que ele fale mais
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) sugere que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prossiga o ritmo dos seus discursos e entrevistas, mesmo cometendo gafes e dizendo frases muitas das vezes controversas. 

A avaliação da Secom é de que o benefício de sua comunicação direta com o público vale o custo dos deslizes.

Contraditoriamente, pesquisas recentes que avaliam o governo indicam não ser esse o caminho.

Somente em 2 meses, por 23 vezes o presidente acumula frases controversas, coincidentemente, o período em que a Secom tem à frente um novo ministro, Sidônio Palmeira, marqueteiro da campanha de Lula à presidência em 2022.

Palmeira tem sugerido que o petista fale mais em rádios e exalte os feitos do governo.

Em recente visita à Bahia, em entrevistas às rádios Metrópole e Sociedade da Bahia, Lula sugeriu que o povo “não compre o que está caro”, como forma de controlar os preços dos alimentos.

“Se você vai ao supermercado em Salvador e você desconfia que tal produto está caro, você não compra”.

A fala de Lula repercutiu entre a oposição que se municiou em pesadas críticas ao presidente.

Gustavo Gayer (PL-GO), Sergio Moro (União Brasil-PR) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) exploraram na plataforma X a fala do petista, no pior momento de sua avaliação.

Pesquisa DataFolha divulgada em 14 de fevereiro indicou que 41% dos brasileiros avaliam o governo Lula é “ruim” ou “péssimo,” contra 24% que consideram o governo “bom” ou “ótimo”. Outros 32% avaliaram como regular; 2% não souberam responder.

Segundo avaliação do site Poder360, a comunicação do petista tenta passar a impressão de que não se importa com os números da avaliação de Lula, vendendo a versão de que a “eleição está distante e que não há preocupação com isso”, já que as pesquisas são um “retrato de momento”.

Em entrevista às rádios baianas, Lula disse: “Estamos muito distantes do processo eleitoral para ficar discutindo pesquisa. Se vai ganhar, se vai perder. Se é rejeitado, se é aceito. Nós temos de dar tempo ao tempo, porque a pesquisa de verdade começa a fazer efeito a partir do momento que a campanha começa e as pessoas vão para a televisão fazer debate”.

Em 13 de fevereiro, durante cerimônia de entrega de terras da União no Amapá, Lula afirmou que mudou sua dieta e que agora ingere ovo de pata e ema por ter mais “sustância”.

Em entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto, Lula disse que “se depender dele, não haverá mais nenhuma medida fiscal”.

Em 5 de fevereiro, falando sobre inflação, Lula disse que “ela está razoavelmente controlada” (embora esteja acima da meta de 3% e além do teto permitido de 4,5%).

No dia 6 de fevereiro, ainda falando nas emissoras baianas. Lula falou sobre a necessidade de regulamentar a imprensa digital para que não seja utilizada para “fazer canalhice e espalhar mentira todo santo dia”.

Em sequência, o presidente disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entregou o país com rombo nas contas públicas em 2022, o que não é verdade. No último ano de Bolsonaro na presidência, o Brasil teve superavit de R$ 54 bilhões (equivalente a 0,5% do PIB). Já no governo Lula, em seu primeiro ano no governo, houve um déficit de 2,1% e de 0,4% em 2024.

Em 13 de fevereiro, no Amapá, Lula, inadequadamente, falou sobre os dentes de uma apoiadora, Maria Costa Jane, de 59 anos, quando chamou a primeira-dama do Amapá, Priscilla Flores, que é dentista, ao palco, e pediu que levasse a apoiadora ao Programa Brasil Mais Sorridente.

“Como você é uma senhora de 50 anos, você não tem vergonha, você abre a boca, fala, não tem vergonha, mas não é correto. Então deixa eu falar aqui com o governador…a senhora vai acertar com a primeira-dama. a senhora vai no Brasil Sorridente, vai tratar seus dentes, vai colocar uma prótese de qualidade para ficar mais bonita, pode sorrir e pode comer o que quiser”.

Seguindo a linha de falar sobre mulheres, Lula disse que elas estão “ficando mais inteligentes e deixando de ser escravas dos maridos”.

Em 14 de fevereiro, em Belém, o presidente disse que não se importaria de dormir uma noite “olhando para as estrelas” durante a COP30, marcada para novembro na capital paraense.

Em discurso no evento de anúncio do Programa de Renovação da Frota Naval da Petrobras, Lula disse que “não bebe gasolina,” mas “bebe outro álcool.”

* Fonte: Poder360