Um mero desabafo de um jovem ranzinza 

Me pergunto o que se passa na cabeça de um estrangeiro ao ligar a TV e acompanhar uma dessas pelejas. O trauma deve ser gigante.

Um mero desabafo de um jovem ranzinza 
Foto: André Durão

É impossível escrever sobre futebol sem assistir a jogos. E está se tornando tão impossível quanto acompanhar, empolgado, uma partida do futebol brasileiro. Somente neste domingo, assisti, de forma bem atenta, quatro delas. Um horror. 

Os motivos são os mesmos de sempre. Uma enorme preocupação em se defender, mas poucas soluções para atacar; faltas atrás de faltas; árbitros picando os jogos para não se comprometerem (embora quase sempre se comprometam); reclamações a cada marcação; chutões; cruzamentos em excesso; longos minutos para uma simples cobrança de lateral…

Me pergunto o que se passa na cabeça de um estrangeiro ao ligar a TV e acompanhar uma dessas pelejas. O trauma deve ser gigante.

Posto isso, o mais desanimador é saber que esse cenário não é de hoje e pouco será feito para mudá-lo. Clubes e entidades seguirão recebendo muito dinheiro, jogadores de renome continuarão sendo contratados, mas ainda veremos pouco impacto disso tudo no campo. Pois o problema é estrutural. 

Dos estaduais que consomem quatro meses do ano, desperdiçando período valioso de preparação para a temporada e desgastando os times, à falta de noção coletiva dos dirigentes, preocupados apenas em defender o seu lado.

Enquanto for dessa forma, acompanhar o futebol brasileiro seguirá sendo extremamente desgastante. Tanto para quem trabalha com ele, quanto para quem o assiste.

Sobre o colunista

Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.

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